Irã lança nova onda de ataques contra Israel e bases norte-americanas no Golfo
País segue alvo de Tel Aviv, que continua mirando alvos do regime na capital; tropas israelenses também atuam no Líbano


Camila Stucaluc
A Guarda Revolucionária do Irã lançou uma nova onda de ataques contra Israel nesta quarta-feira (11). Segundo autoridades locais, mísseis e drones foram identificados em direção a Tel Aviv, onde os moradores foram orientados a se abrigarem em bunkers.
“Os sistemas de defesa estão operando para interceptar a ameaça. Nos últimos minutos, o Comando da Frente Interna emitiu uma diretriz preliminar diretamente para telefones celulares nas áreas relevantes”, informaram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês).
Ao mesmo tempo, as tropas iranianas lançaram drones contra bases militares dos Estados Unidos em países do Golfo Pérsico, no Oriente Médio, em retaliação aos ataques dos últimos dias. Os Emirados Árabes Unidos informaram que acionou os sistemas de defesa aérea para interceptar os equipamentos, assim como Arábia Saudita e Bahrein.
Relatos da imprensa norte-americana também apontam para ataques no Iraque, onde o Centro de Apoio Diplomático de Bagdá teria sido atingido. De acordo com a Reuters, funcionários da instalação receberam ordens para "se abaixar e se proteger". Ao todo, seis drones foram lançados, provavelmente pela Resistência Islâmica no Iraque – apoiado pelo Irã.
Enquanto isso, as forças israelenses continuam mirando alvos do regime iraniano em Teerã. As tropas também atuam nos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, em operação contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã. Além dos ataques aéreos, que destruíram veículos e armazéns de drones e armas, as tropas avançam por terra.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".









