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Irã descarta retomar negociações com Estados Unidos: "Não está mais na pauta"

Ministro classificou como "amarga" experiência de tentar conversar com governo Trump e acusou Washington de agressão

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Camila Stucaluc
10/03/2026, 09:03 • Atualizado em 10/03/2026, 09:05
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Ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi | Divulgação

Ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi | Divulgação

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O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, descartou nesta terça-feira (10) retomar “qualquer negociação” com os Estados Unidos. Em entrevista ao canal PBS, ele afirmou que a possibilidade “não está mais na pauta” do regime iraniano, acusando Washington de agressão.

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“Temos uma experiência muito amarga de conversar com americanos. Após três rodadas de negociações, e mesmo enquanto a equipe americana falava sobre progressos significativos, decidiram nos atacar. Então não acho que conversar com americanos mais estaria na nossa agenda”, disse Araghchi.

Na fala, o ministro denunciou ataques contra casas, escolas e hospitais, acusando os Estados Unidos e Israel de tornarem “toda a região instável”. Afirmou, ainda, que os países buscaram uma mudança de regime no Irã, mas que falharam, uma vez que a Assembleia de Especialistas já nomeou um novo líder supremo, em resposta ao assassinato do aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.

"Eles tentaram alcançar algumas metas, alguns de seus objetivos, mas falharam. Eles pensaram que, em questão de dois ou três dias, poderiam optar por uma mudança de regime, poderiam buscar uma vitória rápida e limpa, mas falharam", disse.

Sobre a interrupção do fornecimento global de energia e o aumento do custo do petróleo por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, Araghchi negou que Teerã estivesse executando um plano deliberado para pressionar o mercado. Ele atribuiu a instabilidade na região à atuação de tropas norte-americanas e israelenses, que continuam lançando ataques contra o país.

“Isso não é culpa nossa. Esse não é nosso plano. A produção de petróleo, o transporte de petróleo foi desacelerado ou interrompido não por nossa causa, mas por causa dos ataques e agressões de israelenses e americanos contra nós”, disse. “Esta guerra foi imposta a nós. Estamos apenas nos defendendo. Nossos lançamentos de mísseis continuam e estamos prontos para continuá-los pelo tempo que for necessário”, finalizou.

A declaração do ministro ocorre em meio à uma possível nova escalada do conflito. Na segunda-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atingir o Irã “com muito mais força” caso o país interrompesse o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, dizendo que “morte, fogo e fúria” reinaram sobre as tropas iranianas.

Em resposta, o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, major-general Ali Mohammad Naeini, alertou que se os ataques entre Estados Unidos e Israel continuarem, o Irã “não permitirá a exportação de um único litro de petróleo da região”. Em tom de ameaça, o militar disse, ainda, que as Forças Armadas iranianas estão aguardando a frota dos Estados Unidos na região.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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