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Estados Unidos vetam pela 3º vez cessar-fogo humanitário de Israel em Gaza

Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, teve 13 votos pela trégua no conflito – mas EUA vetaram decisão. O Reino Unido se absteve

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Derick Toda
20/02/2024, 18:43 • Atualizado em 20/02/2024, 18:43
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Estados Unidos vetam pela 3º vez cessar-fogo humanitário de Israel em Gaza

Os Estados Unidos vetaram pela 3º vez, nesta terça-feira (20), uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que exigia um cessar fogo humanitário imediato na guerra entre Israel e Hamas.

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Escrito pela Argélia e com apoio dos países árabes, a votação do projeto no Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, foi de 13 votos pela trégua contra um único voto contrário – com poder de veto – dos EUA. O Reino Unido se absteve.

A escolha da maioria pela interrupção do conflito reflete o apoio global ao fim da guerra, que iniciou em outubro do ano passado como uma resposta de Israel ao ataque terrorista do Hamas que fez 1,2 mil vítimas e 250 reféns.

Segundo o Ministério da Saúde da Palestina, mais de 29 mil palestinos foram mortos vítimas das ações militares de Israel.

Além disso, cerca de 1,5 milhões de palestinos buscam segurança na cidade de Rafah, no sul de Gaza, mas enfrentam dificuldades ou são impedidos de evacuar da zona de combate. Segundo a ONU, quase 600 mil habitantes da região enfrentam uma crise de fome.

O governo americano decidiu pelo veto por acreditar que interferiria em um possível acordo entre as próprias partes do conflito.

Segundo o vice-embaixador dos EUA, Robert Wood, “a resolução apoiada pelos árabes não é um mecanismo eficaz para tentar fazer as três coisas que queremos que aconteçam – que é retirar os reféns, mais ajuda e uma longa pausa para este conflito.”

Na segunda-feira (19), os EUA divulgaram uma resolução própria para o embate. Ela prevê cessar-fogo imediato, a liberação total dos reféns e foi contrária ao ultimato de Israel que lançaria ataques em Rafah. A comissão vai avaliar a proposta.

Brasil critica Conselho de Segurança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é um dos principais críticos do sistema de organização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para ele, o comitê não representa o mundo contemporâneo.

O Conselho de Segurança é formado por cinco membros permanentes com poder de veto: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China.

Além deles, há mais dez membros rotativos e sem poder de veto, sendo eleitos a cada dois anos.

Durante uma viagem para a Espanha e Portugal no ano passado, Lula disse:

"Nós vivemos em um mundo em que o Conselho de Segurança da ONU, os membros permanentes, todos eles são os maiores produtores de armas do mundo, são os maiores vendedores de armas do mundo e são os maiores participantes de guerra do mundo. Então, eu fico me perguntando se não cabe a nós, outros países que não somos membros permanentes, fazer uma mudança na ONU", afirmou.

O Brasil defende a ampliação de assentos permanentes e o fim do poder de veto. No entanto, outros países avaliam que isso poderia dificultar ainda mais a tomada de decisão.

Essa é uma pauta antiga de Lula e vem sendo abordada desde seu primeiro mandato (2003-2006), quando da criação do G4, em 2004, junto da Alemanha, Índia e Japão.

"O Brasil e outros países que reivindicam essa mudança entendem que as Nações Unidas hoje vivem em um contexto diferente de quando foi criada, no pós-guerra", diz Thiago Amparo, professor de direito internacional e direitos humanos na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). "Você tem outros países que são considerados de relevância global e são muitas vezes potências regionais e, portanto, deveriam ter um assento permanente para que o Conselho de Segurança possa refletir como o mundo é hoje".

*Com informações da Associated Press

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