Embaixada dos EUA no Kuwait relata ameaça de mísseis; caça cai perto de base aérea
Diplomatas orientaram cidadãos norte-americanos a permanecerem em casa até novo aviso


Camila Stucaluc
A Embaixada dos Estados Unidos no Kuwait emitiu um comunicado, nesta segunda-feira (2), alertando para a ameaça contínua de ataques com mísseis e drones no país. O alerta foi confirmado pelas autoridades de Kuwait, que disseram ter interceptado drones iranianos pelo terceiro dia consecutivo.
Os lançamentos fazem parte da retaliação do Irã ao ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no último sábado (28). Além de bombardeios pontuais em Tel Aviv, o exército iraniano vem atingindo bases norte-americanas em países no Oriente Médio. É o caso de Kuwai, onde Washington possui a base aérea de Ali Al‑Salem.
"A Embaixada dos Estados Unidos no Kuwait recomenda que os cidadãos americanos no Kuwait permaneçam em suas residências, revisem seus planos de segurança para o caso de um ataque e fiquem alertas para possíveis novos ataques. Os funcionários da Embaixada dos Estados Unidos estão abrigados em suas residências”, disse a Embaixada.
Em comunicado, o Ministério de Informação de Kuwait informou ainda que houve a queda de aeronaves norte-americanas perto da base militar de Ali Al Salem, no norte do país. A pasta afirmou que as tripulações foram evacuadas e transferidas para o hospital mais próximo. Uma investigação foi instaurada para apurar as causas do incidente.
O que está acontecendo no Irã?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano afirmou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.









