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Embaixada dos EUA no Kuwait relata ameaça de mísseis; caça cai perto de base aérea

Diplomatas orientaram cidadãos norte-americanos a permanecerem em casa até novo aviso

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Camila Stucaluc
02/03/2026, 08:58 • Atualizado em 02/03/2026, 09:10
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Caça militar cai no Kuwait perto de base aérea dos EUA | Reprodução

Caça militar cai no Kuwait perto de base aérea dos EUA | Reprodução

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A Embaixada dos Estados Unidos no Kuwait emitiu um comunicado, nesta segunda-feira (2), alertando para a ameaça contínua de ataques com mísseis e drones no país. O alerta foi confirmado pelas autoridades de Kuwait, que disseram ter interceptado drones iranianos pelo terceiro dia consecutivo.

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Os lançamentos fazem parte da retaliação do Irã ao ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no último sábado (28). Além de bombardeios pontuais em Tel Aviv, o exército iraniano vem atingindo bases norte-americanas em países no Oriente Médio. É o caso de Kuwai, onde Washington possui a base aérea de Ali Al‑Salem.

"A Embaixada dos Estados Unidos no Kuwait recomenda que os cidadãos americanos no Kuwait permaneçam em suas residências, revisem seus planos de segurança para o caso de um ataque e fiquem alertas para possíveis novos ataques. Os funcionários da Embaixada dos Estados Unidos estão abrigados em suas residências”, disse a Embaixada.

Em comunicado, o Ministério de Informação de Kuwait informou ainda que houve a queda de aeronaves norte-americanas perto da base militar de Ali Al Salem, no norte do país. A pasta afirmou que as tripulações foram evacuadas e transferidas para o hospital mais próximo. Uma investigação foi instaurada para apurar as causas do incidente.

O que está acontecendo no Irã?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.

Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano afirmou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.

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