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Disputa pela Groenlândia: União Europeia faz reunião de emergência após Trump anunciar tarifas

Presidente dos EUA aumentou pressão para comprar ilha no Ártico; taxas de 10% entram em vigor em fevereiro e podem subir para 25% em junho

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SBT News, com informações da Reuters
18/01/2026, 10:47 • Atualizado em 18/01/2026, 15:35
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Homem perto da bandeira de Dinamarca em Nuuk, na Groenlândia | Marko Djurica/Reuters

Homem perto da bandeira de Dinamarca em Nuuk, na Groenlândia | Marko Djurica/Reuters

A União Europeia (UE) convocou para este domingo (18) uma reunião de emergência com embaixadores dos 27 Estados-membros após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma série de tarifas contra oito países do continente contrários à compra da Groenlândia, ilha no Ártico pertencente à Dinamarca, pelos EUA.

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Marcado pelo Chipre, país que ocupa presidência da UE de forma rotativa, encontro de diplomatas europeus deve começar às 17h (13h no horário de Brasília) e discutir uma resposta às ameaças de Trump. Mandatário norte-americano afirmou nesse sábado (17), em postagem na rede Truth Social, que Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia sofrerão cobrança de tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro.

Em 1º de junho, caso os EUA ainda não tenham finalizado um acordo para "compra total e completa da Groenlândia", taxas serão aumentadas para 25%, acrescentou Trump na publicação. As nações europeias enviaram nesta semana pessoal militar para a ilha a pedido da Dinamarca.

"Esses países, que estão jogando esse jogo muito perigoso, colocaram em jogo um nível de risco que não é sustentável", escreveu Trump.

O presidente norte-americano tem dito repetidamente que o território autônomo é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e aos grandes depósitos minerais, e não descartou o uso da força para tomá-la. Na retórica de Trump, os Estados Unidos devem ocupar a ilha antes de potências rivais. "China e Rússia querem a Groenlândia e não há nada que a Dinamarca possa fazer sobre isso", argumentou.

"Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos a negociações com a Dinamarca e/ou qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas", completou ele.

Manifestantes na Dinamarca e na Groenlândia protestaram nesse sábado contra as exigências de Trump e pediram que o país tenha liberdade de decidir sobre território.

Líderes europeus reagem a Trump

Presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, reagiram às tarifas anunciadas por Trump em publicações na rede social X (antigo Twitter). "Integridade territorial e soberania são princípios fundamentais do direito internacional. São essenciais para a Europa e para a comunidade internacional como um todo", escreveram ambos.

Líderes também reforçaram que o "exercício coordenado pela Dinamarca, conduzido por aliados, responde a uma necessidade de aumentar segurança no Ártico e não representa ameaça a ninguém", em referência aos países que enviaram tropas militares à Groenlândia.

Von der Leyen e Costa afirmaram que a UE está comprometida com o diálogo, "em processo que já começou na semana passada entre Dinamarca e Estados Unidos". Após encontro com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, falou em "desacordo fundamental" entre as partes sobre futuro da Groenlândia.

"Tarifas prejudicariam relações transatlânticas e poderiam provocar uma perigosa espiral descendente. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania", acrescentaram Von der Leyen e Costa.

A principal diplomata da UE, Kaja Kallas, também se manifestou no X, dizendo que novo tarifaço pode trazer prejuízos para ambos os lados do Atlântico e desvia foco da UE de sua "tarefa central" — ajudar a colocar ponto final na guerra entre Rússia e Ucrânia.

"Rússia e China devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam de divisões entre aliados", disse. "Tarifas podem empobrecer Europa e EUA e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos abordar isso dentro da Otan", afirmou.

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