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Dinamarca e Groenlândia afirmam ter "desacordo fundamental" com os EUA

Ministro dinamarquês disse considerar preocupações de Donald Trump sobre segurança, mas descartou ideia de anexar ilha

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Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, ao lado do secretário de Estado dos EUA Marco Rubio | Divulgação

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, se encontrou na quarta-feira (14) com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Na reunião, o diplomata debateu as declarações de anexação da Groenlândia por parte do presidente Donald Trump, dizendo que estava em "desacordo fundamental" com o republicano.

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"Acordamos que faz sentido tentar sentar em alto nível para explorar se existem possibilidades de acomodar as preocupações do presidente, enquanto ao mesmo tempo respeitamos as linhas vermelhas do Reino da Dinamarca. Ideias que não respeitem a integridade territorial do Reino da Dinamarca e o direito à autodeterminação do povo groenlandês são, é claro, totalmente inaceitáveis”, disse Rasmussen.

Remota e gelada, a Groenlândia é uma ilha dinamarquesa autônoma entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico. O território vem atraindo o interesse de Trump desde seu primeiro mandato (2017-2021) devido à alta quantidade de minérios raros, além de uma posição militar estratégica para defesa antimísseis e vigilância espacial — especialmente em um contexto de rivalidade com Rússia e China.

Este ano, o presidente voltou a comentar sobre o desejo de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos, dizendo que o território é necessário para a segurança do país. Na última semana, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a possível compra da ilha está sendo discutida pelo governo, mesmo após a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, dizer que a região não está à venda.

Em outras declarações, Leavitt disse que Trump não descarta o uso das Forças Armadas para conseguir assumir o controle da Groenlândia, o que colocou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em alerta. Isso porque a aliança militar enfrenta a perspectiva de que um membro possa atacar outro, o que colocaria o Artigo 5, que estipula que um ataque armado contra um membro é considerado um ataque contra todos, em xeque.

"Se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo acaba. Isso inclui a nossa aliança militar, e consequentemente, a segurança que é fornecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial", disse Frederiksen. Rebatendo Trump, ela rejeitou as alegações sobre falhas de segurança no Ártico, afirmando que a Dinamarca investiu 90 bilhões de coroas para a segurança na região em 2025.

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