Otan enfrenta crise com EUA após declarações sobre a Groenlândia
Falas de Trump provocaram reação de líderes europeus e expuseram tensões internas no bloco em meio às negociações sobre a guerra na Ucrânia
SBT Brasil
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enfrenta um dos momentos mais delicados desde o fim da Guerra Fria após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de os EUA adquirirem a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
As falas provocaram reação imediata de aliados europeus e reacenderam dúvidas sobre a coesão interna da principal aliança militar ocidental.
Em comunicado divulgado pela Casa Branca, Trump “deixou claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos” e que o território é considerado “vital para dissuadir adversários na região do Ártico”.
Líderes europeus expressaram forte preocupação, afirmando que a Groenlândia faz parte da soberania da Dinamarca e que quaisquer ações unilaterais seriam inaceitáveis.
O que disseram os líderes europeus?
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que os comentários americanos não podem ser aceitos como país e nem como governo.
“Isso simplesmente não pode ser aceito, não podemos aceitar nem como país e nem como governo.”
O presidente da França, Emmanuel Macron, subiu o tom e declarou que os EUA estão rompendo com a ordem internacional e se afastando de aliados.
“Estamos vivendo em um mundo em que as grandes potências estão tentadas a dividir o mundo entre elas.”
Na Alemanha, o presidente Frank-Walter Steinmeier, cujo cargo é mais cerimonial, afirmou que o mundo não pode se transformar em um covil de ladrões, em fala sem menção direta a Trump, mas interpretada como recado diplomático.
“O mundo não pode se transformar em um covil de ladrões onde os inescrupulosos pegam o que querem e regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas potências.”
Qual é o papel estratégico da Groenlândia?
A Groenlândia está estrategicamente localizada entre a Europa e a América do Norte, o que a torna um local essencial para o sistema de defesa contra mísseis balísticos dos EUA. Seus ricos recursos minerais também se encaixam na meta de Washington de reduzir a dependência da China.
A ilha é um território autônomo do Reino da Dinamarca. Ela tem seu próprio Parlamento e governo, mas Copenhague mantém a autoridade sobre as relações exteriores e a defesa.








