Primeiro-ministro da Groenlândia diz preferir a Dinamarca aos EUA
"Acho que nós mesmos deveríamos ter uma palavra a dizer sobre o futuro de nossas vidas", afirma Jens-Frederik Nielsen

Reuters
O primeiro-ministro da Groenlândia disse nesta terça-feira (13) que seu país prefere continuar a fazer parte da Dinamarca a se tornar um território dos Estados Unidos, em meio à pressão do presidente Donald Trump para assumir o controle da extensa ilha do Ártico.
Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reunirão com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, na quarta (14), depois que Trump recentemente intensificou as ameaças de assumir o controle da Groenlândia, um território autônomo do Reino da Dinamarca.
Mas a Groenlândia não está à venda e não quer se juntar aos EUA, disse o primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, em uma coletiva de imprensa conjunta em Copenhague com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.
"Enfrentamos uma crise geopolítica e, se tivermos que escolher entre os EUA e a Dinamarca aqui e agora, escolheremos a Dinamarca", disse Nielsen. "Estamos unidos ao Reino da Dinamarca."
"Para nós, é nosso lar"
As pessoas na Groenlândia não querem se tornar norte-americanas e estão se sentindo traídas e perplexas com a retórica usada sobre sua ilha, disse a ministra do gabinete Naaja Nathanielsen a repórteres em Londres.
"Acho que nós mesmos deveríamos ter uma palavra a dizer sobre o futuro de nossas vidas. Para outros, isso pode ser um pedaço de terra, mas para nós, é o nosso lar", disse Nathanielsen, cujo portfólio inclui negócios, energia e minerais.
Embora a Dinamarca tenha governado a Groenlândia por séculos, o território tem se movido gradualmente em direção à independência desde 1979, uma meta compartilhada por todos os partidos políticos eleitos para o Parlamento da ilha.
Mas Nathanielsen disse que não há pressa em reivindicar a independência. "Somos um aliado norte-americano, mas não nos vemos como norte-americanos. Estamos muito felizes em fazer parte do Reino da Dinamarca", disse ela.
Trump disse que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA e que os Estados Unidos devem controlá-la para evitar que a Rússia ou a China ocupem no futuro o território estrategicamente localizado e rico em minerais.
As autoridades da Casa Branca vêm discutindo vários planos para colocar a Groenlândia sob o controle dos EUA, incluindo o potencial uso dos militares dos EUA e pagamentos de quantia fixa aos groenlandeses como parte de uma tentativa de convencê-los a se separar da Dinamarca.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e sua colega da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram uma reunião com Rubio após as ameaças de Trump.
"O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também queria participar da reunião, e ele será o anfitrião da reunião, que, portanto, será realizada na Casa Branca", disse Rasmussen a repórteres em Copenhague nesta terça.
"Nosso motivo para buscar a reunião que nos foi concedida agora foi levar toda essa discussão... para uma sala de reuniões onde possamos nos olhar nos olhos e falar sobre essas coisas."
"A parte mais difícil ainda está por vir"
A primeira-ministra da Dinamarca disse que era difícil enfrentar os EUA, um membro da Otan e o aliado mais importante do país por muitas décadas. "Mas muita coisa sugere que a parte mais difícil ainda está por vir", disse Frederiksen aos repórteres.
Trump lançou pela primeira vez a ideia de uma aquisição da Groenlândia pelos EUA em 2019, durante seu primeiro mandato, embora enfrente oposição em Washington, inclusive dentro de seu próprio partido.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, disse que participaria de uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Bruxelas, na segunda-feira da próxima semana, para discutir a segurança do Ártico, juntamente com Motzfeldt, da Groenlândia.
A Dinamarca planejou uma presença militar maior na Groenlândia, com outros países da Otan participando de exercícios e treinamentos em 2026, disse o ministro da Defesa.
(Por Stine Jacobsen e Soren Jeppesen)









