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Primeiro-ministro da Groenlândia diz preferir a Dinamarca aos EUA

"Acho que nós mesmos deveríamos ter uma palavra a dizer sobre o futuro de nossas vidas", afirma Jens-Frederik Nielsen

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Reuters
13/01/2026, 18:29 • Atualizado em 13/01/2026, 18:32
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Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, durante entrevista coletiva em Nuuk | 05/01/2026/Ritzau Scanpix via Reuters

Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, durante entrevista coletiva em Nuuk | 05/01/2026/Ritzau Scanpix via Reuters

O primeiro-ministro da Groenlândia disse nesta terça-feira (13) que seu país prefere continuar a fazer parte da Dinamarca a se tornar um território dos Estados Unidos, em meio à pressão do presidente Donald Trump para assumir o controle da extensa ilha do Ártico.

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Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reunirão com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, na quarta (14), depois que Trump recentemente intensificou as ameaças de assumir o controle da Groenlândia, um território autônomo do Reino da Dinamarca.

Mas a Groenlândia não está à venda e não quer se juntar aos EUA, disse o primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, em uma coletiva de imprensa conjunta em Copenhague com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

"Enfrentamos uma crise geopolítica e, se tivermos que escolher entre os EUA e a Dinamarca aqui e agora, escolheremos a Dinamarca", disse Nielsen. "Estamos unidos ao Reino da Dinamarca."

"Para nós, é nosso lar"

As pessoas na Groenlândia não querem se tornar norte-americanas e estão se sentindo traídas e perplexas com a retórica usada sobre sua ilha, disse a ministra do gabinete Naaja Nathanielsen a repórteres em Londres.

"Acho que nós mesmos deveríamos ter uma palavra a dizer sobre o futuro de nossas vidas. Para outros, isso pode ser um pedaço de terra, mas para nós, é o nosso lar", disse Nathanielsen, cujo portfólio inclui negócios, energia e minerais.

Embora a Dinamarca tenha governado a Groenlândia por séculos, o território tem se movido gradualmente em direção à independência desde 1979, uma meta compartilhada por todos os partidos políticos eleitos para o Parlamento da ilha.

Mas Nathanielsen disse que não há pressa em reivindicar a independência. "Somos um aliado norte-americano, mas não nos vemos como norte-americanos. Estamos muito felizes em fazer parte do Reino da Dinamarca", disse ela.

Trump disse que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA e que os Estados Unidos devem controlá-la para evitar que a Rússia ou a China ocupem no futuro o território estrategicamente localizado e rico em minerais.

As autoridades da Casa Branca vêm discutindo vários planos para colocar a Groenlândia sob o controle dos EUA, incluindo o potencial uso dos militares dos EUA e pagamentos de quantia fixa aos groenlandeses como parte de uma tentativa de convencê-los a se separar da Dinamarca.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e sua colega da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram uma reunião com Rubio após as ameaças de Trump.

"O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também queria participar da reunião, e ele será o anfitrião da reunião, que, portanto, será realizada na Casa Branca", disse Rasmussen a repórteres em Copenhague nesta terça.

"Nosso motivo para buscar a reunião que nos foi concedida agora foi levar toda essa discussão... para uma sala de reuniões onde possamos nos olhar nos olhos e falar sobre essas coisas."

"A parte mais difícil ainda está por vir"

A primeira-ministra da Dinamarca disse que era difícil enfrentar os EUA, um membro da Otan e o aliado mais importante do país por muitas décadas. "Mas muita coisa sugere que a parte mais difícil ainda está por vir", disse Frederiksen aos repórteres.

Trump lançou pela primeira vez a ideia de uma aquisição da Groenlândia pelos EUA em 2019, durante seu primeiro mandato, embora enfrente oposição em Washington, inclusive dentro de seu próprio partido.

O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, disse que participaria de uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Bruxelas, na segunda-feira da próxima semana, para discutir a segurança do Ártico, juntamente com Motzfeldt, da Groenlândia.

A Dinamarca planejou uma presença militar maior na Groenlândia, com outros países da Otan participando de exercícios e treinamentos em 2026, disse o ministro da Defesa.

(Por Stine Jacobsen e Soren Jeppesen)

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