“Não há qualquer coisa que a Dinamarca possa fazer”, diz Trump, ao SBT News, sobre a Groenlândia
Desde que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump fala sobre adquirir a Groenlândia. Um ano depois, a retórica pode virar realidade

Washington, DC - Se a primeira semana de 2026 começou com as manchetes e as imagens da operação norte-americana na Venezuela, o fim da primeira quinzena do ano teve a Groenlândia em destaque. Na área leste da Casa Branca, na última quarta-feira (14), repórteres, fotógrafos e cinegrafistas aguardavam a chegada dos ministros de relações exteriores das duas nações afetadas com as recentes manifestações de Washington.
Os representantes da Dinamarca e Groenlândia estiveram reunidos com o vice-presidente dos Estados Unidos e outros funcionários do alto escalão por pouco mais de duas horas. No Salão Oval, Donald Trump voltou a afirmar que precisa da ilha por uma questão de segurança nacional.

Eu o questionei sobre a colocação da ministra da Groenlândia, que disse, em uma coletiva de imprensa na embaixada da Dinamarca, em Washington, que ela havia colocado no encontro os limites dos groenlandeses. "Esses limites serão respeitados? ", foi minha pergunta.
Donald Trump respondeu que ainda não tinha sido informado sobre essa reunião, mas que o faria assim que o evento no escritório acabasse. O republicano pontuou que tem uma "boa relação com os dinamarqueses", mas foi direto ao dizer que "se nós não entrarmos, a Rússia entrará, a China entrará". "Não há qualquer coisa que a Dinamarca possa fazer. Nós podemos tudo".
"Não há o que possam fazer?", indaguei. Donald Trump respondeu: "Vamos ver o que acontece, mas nós precisamos. Eu não sou o primeiro. Isso foi falado pelo presidente Truman e quarenta anos antes do presidente Truman eles estavam falando sobre isso. Falam disso há cem anos. Não é algo tão novo. Muitas pessoas não percebem, mas isso foi um assunto quente. Talvez não tão quente quanto agora, mas foi por um bom tempo e nós precisamos por uma questão de segurança nacional. E isso inclui para a Europa"
Trump me respondeu que ele havia conversado com o diretor da OTAN, Mark Rutte, e segundo o presidente norte-americano, Rutte "quer ver algo feito". Publicamente, o ex-premiê alemão tem evitado um confronto direto com Washington.
O Nobel da Paz
Na quinta-feira (15), o destaque foi a visita de Maria Corina Machado. Já era esperado que o almoço de trabalho oferecido pelos americanos fosse fechado à imprensa. No momento da chegada da venezuelana, assessores que trabalham para a ganhadora do Nobel da Paz confirmaram a jornalistas estrangeiros que Corina Machado havia levado para Trump uma medalha e uma placa. No fim do dia, com a foto dos dois publicada, ficou claro como o presente foi configurado.

Corina Machado emoldurou a medalha de ouro original que recebeu do Nobel da Paz em uma placa de agradecimento a Trump em nome do povo venezuelano. Os jornalistas que cobrem a rotina de Washington queriam ouvi-la. Ficou decidido que ela falaria com todos na área externa do Capitólio. Em meio a um frio com temperaturas negativas, a opositora de Maduro disse que Trump mereceu o presente. No dia seguinte, Donald Trump - antes de embarcar no Marine One - disse que ficou agradecido com o gesto.
Os organizadores do Nobel da Paz chegaram a publicar um esclarecimento informando que o prêmio, uma vez concedido, não pode ser repassado - embora, no passado, a medalha já tenha sido presentada por outros ganhadores. O Museu do Nobel da Paz citou o caso de Dmitry Muratov que leiloou a medalha que ganhou arrecadando mais de 100 milhões de dólares, que foram doados para os refugiados da guerra na Ucrânia.









