A surpresa de Donald Trump com a decisão da Suprema Corte americana
Ao SBT News, presidente americano se diz surpreso por perder processo; mundo agora digere resposta da Casa Branca: 15% de tarifas globais
Washington DC - Pouco tempo depois da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que barrou o tarifaço de Trump ser publicada no site oficial da instituição, a Casa Branca anunciou que o presidente dos Estados Unidos iria falar com a imprensa. Equipe técnica e jornalistas tiveram pouco tempo para se posicionar e pouco depois do horário marcado, Donald Trump chegou ao púlpito. Disse estar decepcionado e envergonhado. Chegou a dizer que as famílias dos dois juízes indicados por ele à Suprema Corte - que votaram pela ilegalidade da cobrança das tarifas - deveriam estar envergonhadas.
Questionei o presidente se, além de desapontado, ele estaria surpreso. Perguntei: O que o senhor sentiu ao ler a decisão?
"Eu fiquei surpreso. Eu li os parágrafos, eu li muito bem. Tenho uma ótima compreensão. Eu li tudo que tinha para ler e eu disse: 'não podemos perder esse caso', mas podemos quando os juízes são políticos, quando querem ser politicamente corretos, quando estão atendendo um grupo de pessoas no D.C., talvez. Eu não sei o que é, porque quando você lê, não há outra interpretação. Não há outra interpretação", respondeu Donald Trump ao SBT News.
O presidente americano prosseguiu:
"Mas tudo bem, porque o que veio, e eu vou dizer isso pela terceira vez e talvez pela última vez em um tempo, é que nós tiramos a incerteza das tarifas, porque nós tínhamos incerteza. Eu conheço bem estas pessoas que são muito pró China. Fomos processados por estes canalhas mas eles vão acabar não se dando muito bem."
Trump ainda afirmou que os Estados Unidos estão fortes de novo.
"Temos o exército mais forte. Eu reconstruí o exército no meu primeiro termo. Nós temos o poderio militar mais poderoso. Nós construímos o melhor equipamento, temos pessoas que recebem muito dinheiro para fabricar missiles Patriots e Javelins mas quando eles querem, são muito lentos."
O republicano criticou seus antecessores na Casa Branca, mas sem citar nomes. "O problema é que nós tínhamos outros presidentes que não eram orientados para os negócios. Talvez eles não fossem inteligentes e nós tivemos alguns idiotas também. Digo respeitosamente que tivemos alguns idiotas". Ele insistiu que a decisão da Suprema Corte, ao menos, tira a dúvida em relação às tarifas.
"Agora nós podemos (cobrar). Eles especificamente disseram: 'nós podemos fazer isso, nós temos alternativas', afirmando que o presidente tem autonomia para cobrar impostos de produtos importados desde que não seja com base na lei de 1977 chamada International Economic Power Act. Ao definir que o presidente dos Estados Unidos não tem poder para invocar emergência nacional para cobrar o valor que quiser de tarifas pelo tempo que deseja, a instância mais alta do judiciário norte-americano colocou limites", disse Trump.

Nova taxação
A taxa global de 15% para a importação de produtos do mundo inteiro é baseada em uma outra seção e tem tempo limitado: 150 dias. Nos bastidores, a equipe que assessora o presidente já levanta todos os mecanismos legais possíveis para driblar a ordem da última sexta-feira (20).
Resta saber se Donald Trump estará aberto a negociações paralelas como as tantas que ocorreram em 2025. A União Europeia conseguiu isenção para o setor aéreo, os britânicos baixaram a taxa dos produtos vendidos aos americanos para 10%. O Brasil conseguiu retirar a tarifa punitiva de 40% e liberou a cobrança em cima de produtos como carne e frutas.
No dia da coletiva desta imprensa, ainda era cedo para avaliar casos individuais. Tanto o presidente quanto sua equipe pareciam se acomodar diante de uma realidade que eles não esperavam acontecer.
Nesta segunda-feira (23), Trump voltou a dizer em tom de indignação: "como presidente, eu não tenho que ir ao Congresso para ter a aprovação da cobrança de tarifas. Isso já foi feito há muito tempo. Isso foi apenas reafirmado pela ridícula e pobremente decisão definida pela Suprema Corte".












