Patrícia Vasconcellos
Patrícia Vasconcellos

Direto da Casa Branca

Patrícia Vasconcellos cobre a política norteamericana direto da Casa Branca, Departamento de Estado e Congresso dos EUA. Mestre em jornalismo de TV pela Universidade de Londres, foi correspondente em Nova York e Buenos Aires.

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Veja os detalhes da ação militar que retirou Maduro do poder e colocou os EUA no controle da Venezuela

Segundo fontes do governo ouvidas pela mídia dos EUA, Trump deu sinal verde para a operação há semanas e tudo estava pronto no Natal

Patrícia Vasconcellos
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Washington DC - O silêncio na Casa Branca nas primeiras horas deste sábado (3) contrastava com o som das celebrações em Caracas e o burburinho em torno de Mar-a-Lago, na Flórida, após a notícia de que Nicolás Maduro e a esposa estavam presos e que haviam sido retirados do Palácio Miraflores pelo exército norte-americano.

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Eram duas da manhã em Caracas, três da madrugada pelo horário de Brasília, quando os homens da força de elite do exército americano chegaram de helicóptero para retirar Maduro do poder à força. Donald Trump havia falado com o líder venezuelano dias antes por telefone e tinha dado mais um ultimato: “renuncie”.

Nicolás Maduro não dava sinais de que mudaria qualquer coisa em sua rotina. Nas aparições recentes na TV venezuelana, aparentava uma certeza de que seguiria no posto. Brincava e dizia mensagens frequentes em inglês pedindo paz. O elemento principal da ação militar, segundo um dos militares americanos que coordenaram o time, foi a surpresa. Os Estados Unidos não queriam que Maduro ou seu entorno suspeitasse que a intervenção iria acontecer.

Segundo Washington, o dia e horário da ação foram determinados pelas condições climáticas. Era preciso céu claro para que os helicópteros americanos pudessem cruzar os céus do país latino de forma a identificar um possível contra-ataque. Trump havia dado o sinal verde no Natal. Uma ação militar contra integrantes do ISIS também fizeram a missão venezuelana esperar mais um pouco.

O futuro venezuelano a cargo dos EUA

Na coletiva de imprensa, em Mar-a-Lago, Donald Trump deixou claro que os norte-americanos estarão no controle da Venezuela a partir de agora e as petroleiras dos Estados Unidos, vão - de acordo com Trump - estruturar e liderar a retirada e o transporte de petróleo.

É algo inédito na América Latina. Assim como foi no Iraque, no começo do ano dois mil, um ditador estrangeiro foi deposto e os militares dos Estados Unidos agora tomam conta do país. As dúvidas são muitas: com aliados de Maduro espalhados em todos as instituições venezuelanas, quem irá comandar de forma imediata a economia, a justiça, a educação e até mesmo as forças de segurança? Se a queda de Maduro foi celebrada por venezuelanos no exterior e também na Venezuela, o sucessor de Chávez tem ainda o apoio de parte da população que o identifica com o legado do Chavismo. As milícias que por anos serviram Maduro, vão reagir? Segundo Donald Trump, não há, no momento, necessidade de uma nova ação militar, indicando que o cenário, por lá, está controlado.

Questionado sobre a mensagem que deixa ao povo da Venezuela, Trump disse: “Vocês terão justiça, paz e segurança. Se você voltar vinte anos no tempo, era um grande país, mas ele foi destruído” disse o presidente norteamericano aos jornalistas na Flórida.

O republicano ainda deixou claro que o Secretário de Guerra Pete Heggset é quem vai tomar as decisões internas em relação ao futuro da Venezuela em parceria com a diplomacia norte-americana. “Vamos vender petróleo em quantidades muito maiores para outros países” disse Trump, sinalizando que a questão econômica também não será deixada de lado.

As sanções econômicas às empresas da Venezuela seguem, segundo Trump, e as dúvidas que se seguem é como este quebra-cabeça do futuro do país latino será remontado.

Trump em coletiva; Maduro durante captura, segundo os EUA | Reprodução
Trump em coletiva; Maduro durante captura, segundo os EUA | Reprodução

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