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Mãe de brasileiro morto na Ucrânia pede justiça e repatriação do corpo

Bruno Gabriel Leal da Silva teria sido morto por integrantes do batalhão Advanced, liderado por um outro brasileiro; caso é investigado na Ucrânia

Moradora de Sertânia, no sertão pernambucano, Maria de Lourdes Santos Leal convive com a dor e a indignação desde que soube da morte do filho, Bruno Gabriel Leal da Silva, na Ucrânia. O caso foi revelado em reportagem do SBT News, que denunciou acusações de tortura e assassinato envolvendo brasileiros ligados ao chamado Batalhão Advanced, grupo que atua no conflito no Leste Europeu.

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Em entrevista ao correspondente do SBT, Sérgio Utsch, durante o programa Mapa Mundi, dona Maria afirmou que nunca recebeu qualquer comunicado oficial sobre o que aconteceu com o filho. “Ninguém, ninguém, ninguém. Nós não tivemos contato”, disse. Segundo ela, a família só descobriu a morte quase dois meses depois, por meio da reportagem exibida na televisão.

No dia 28 de dezembro do ano passado, Bruno Gabriel Leal da Silva, de 28 anos, foi encontrado morto nesta unidade. Cerca de quatro dias antes, ele procurou o serviço consular da Embaixada do Brasil em Kiev, denunciando maus-tratos e a retenção do seu passaporte. Bruno chegou a receber orientações sobre o que fazer para deixar a Ucrânia imediatamente, mas não apareceu mais.

Promessa de trabalho e salário

De acordo com a mãe, Bruno conheceu pela internet brasileiros que já estavam na Ucrânia. Eles teriam prometido trabalho e um pagamento mensal de R$ 3 mil. “Falei para ele que não fosse, que não era confiável”, contou. Ainda assim, o jovem decidiu viajar. A passagem, segundo ela, foi paga por integrantes do grupo.

Bruno não tinha histórico militar. “Nunca pegou em arma”, afirmou a mãe. Ela relatou ainda que, desde a chegada à Ucrânia, o passaporte e outros documentos do filho teriam sido retidos. “Ele falava muito que prenderam o passaporte dele e ele estava sem poder sair daí.”.

Apesar da promessa de salário, o dinheiro nunca teria sido pago. Dona Maria contou que enviava mensalmente pequenas quantias ao filho no exterior. “Ele não estava recebendo nada”, disse.

Últimos contatos e sinais de tristeza

O último contato de Bruno com a família ocorreu em 21 de dezembro. Segundo a mãe, ele parecia “meio estranho, meio triste” e dizia que já não estava gostando da situação. Bruno fazia tratamento para ansiedade e depressão, mas teria interrompido a medicação antes da viagem. “Ele estava muito iludido”, afirmou.

Sem condições financeiras de viajar à Ucrânia, a família pede apoio para que o corpo seja trazido ao Brasil. “Eu quero justiça e quero que o corpo do meu filho venha para cá”, disse. A intenção é enterrá-lo em Pernambuco, perto da família.

Apelo a outros jovens

Emocionada, dona Maria deixou um alerta a outros brasileiros que cogitam ir lutar na guerra. “Não vá. O que fizeram com o meu filho pode fazer com qualquer um”, declarou.

Ela cobra que os responsáveis sejam punidos. “Quero justiça. Que pegue ele e faça ele pagar o que fez”, afirmou, referindo-se aos suspeitos de envolvimento na morte do filho.

O caso segue sob investigação das autoridades ucranianas e é acompanhado pelo Itamaraty.

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