Em meio à pressão de Trump, Irã prepara contraproposta sobre programa nuclear
Presidente norte-americano ameaçou atacar o país caso representantes não cheguem a um acordo


Camila Stucaluc
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse na sexta-feira (20) que trabalha no rascunho de uma contraproposta sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, a expectativa é que o texto passe por uma revisão em dois ou três dias, e esteja pronto para ser debatido com os Estados Unidos dentro de uma semana.
“O presidente [Donald] Trump e sua equipe estão interessados em um acordo rápido, então concordamos em trabalhar juntos para alcançar um acordo o mais rápido possível. A única questão é como tornar isso um acordo justo, um acordo ganha-ganha, um acordo equitativo, e essa é a parte difícil disso”, disse Araqchi, em entrevista ao programa Morning Joe.
A declaração ocorre dois dias após temores de uma invasão norte-americana no Irã já neste fim de semana. À imprensa internacional, fontes próximas a Trump afirmaram que as Forças Armadas estavam preparadas para atacar o país, mas que aguardavam a autorização do presidente. De acordo com o republicano, essa decisão pode levar de 10 a 15 dias.
Na entrevista, Araqchi ressaltou que a única solução para que o programa nuclear iraniano permaneça pacífico é a negociação diplomática. Ele frisou, no entanto, que o país está preparado para responder “proporcionalmente” se for alvo de uma agressão militar pelos Estados Unidos. “Estamos preparados para a diplomacia, e estamos preparados para a negociação tanto quanto estamos preparados para a guerra", disse.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandado, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Em meio às ameaças de Trump, os países iniciaram uma rodada de negociações em países neutros. O último encontro ocorreu na terça-feira (17), na Suíça, mas terminou sem um consenso diplomático. O principal negociador do Irã afirmou que ambos os lados concordaram com um "conjunto de princípios orientadores", mas um funcionário norte-americano ressaltou que "ainda há muitos detalhes a serem discutidos".









