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New Start: o que está em jogo com o fim do acordo nuclear entre EUA e Rússia

Último tratado de controle de armas nucleares entre as duas maiores potências expirou, eliminando limites de arsenal, inspeções e mecanismos de transparência

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Fotografia do teste nuclear Licorne, realizado em 1971, na Polinésia Francesa, no Oceano Pacífico | Divulgação/ONU/Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares
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O fim da vigência do tratado New Start, encerrado nesta quinta-feira (5), marca um ponto de inflexão na segurança internacional. O acordo era o último instrumento que limitava e monitorava os arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia, países que juntos concentram cerca de 87% de todas as ogivas nucleares do mundo.

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O que era o New Start?

Em vigor desde 2011, o Tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação Adicional de Armas Estratégicas Ofensivas (New Start) estabelecia limites claros para os dois países. Cada lado podia manter no máximo 1.550 ogivas nucleares implantadas e até 700 sistemas de lançamento — entre mísseis balísticos intercontinentais, mísseis lançados por submarinos e bombardeiros pesados. Somados os sistemas implantados e não implantados, o teto era de 800.

O acordo, contudo, não tratava apenas de reduzir números. O New Start criava regras para garantir previsibilidade e evitar desconfianças entre as duas potências. Havia troca regular de informações, notificações antecipadas sobre movimentações e inspeções presenciais.

Cada país tinha direito a até 18 inspeções por ano, divididas entre visitas a bases com armas estratégicas implantadas e locais que abrigavam armas não implantadas ou equipamentos relacionados. O tratado também previa a manutenção de bancos de dados atualizados e a troca periódica de notificações sobre mudanças nos arsenais.

Outro ponto central era a transparência técnica. Estados Unidos e Rússia trocavam informações telemétricas de lançamentos de mísseis balísticos, o que permitia acompanhar testes e reduzir o risco de interpretações equivocadas sobre capacidades militares.

O acordo ainda criou uma Comissão Consultiva Bilateral, responsável por discutir questões operacionais, resolver ambiguidades e facilitar a cooperação na implementação do tratado. Além disso, proibia a transferência de sistemas estratégicos ofensivos cobertos pelo New Start a terceiros.

Qual é o risco? ONU faz alerta

Com o fim da vigência e sem um tratado substituto, esses mecanismos deixam de existir. Na prática, EUA e Rússia ficam livres para aumentar seus arsenais nucleares, reduzir drasticamente a transparência, cenário que pode desencadear uma nova corrida armamentista.

A gravidade da situação foi destacada pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que classificou o fim do tratado como um “momento sério para a paz e a segurança internacionais”.

"A dissolução de décadas de conquistas não poderia ocorrer em pior momento – o risco de uso de uma arma nuclear é o mais alto em décadas. Mesmo neste momento de incerteza, devemos buscar esperança. Esta é uma oportunidade para recomeçar e criar um regime de controle de armas adequado a um contexto em rápida evolução", afirmou em comunicado.

Atualmente, os estoques estimados são de 5.459 ogivas nucleares da Rússia e 5.177 dos Estados Unidos, segundo a Federação de Cientistas Americanos.

Um fact sheet divulgado pelo governo dos Estados Unidos em 2023, quando a Rússia anunciou a suspensão da implementação do Novo START, mostrou que além das ogivas, os Estados Unidos também têm estoques de 662 mísseis balísticos intercontinentais e lançados por submarinos, além de bombardeiros pesados implantados.

Já o total de lançadores — incluindo mísseis e bombardeiros implantados e não implantados — chega a 800.

Em setembro, o presidente russo Vladimir Putin propôs a extensão, por 12 meses, do cumprimento dos limites do New Start, mas até agora não houve resposta formal do presidente dos EUA, Donald Trump.

Sem limites, inspeções e canais de diálogo previstos no tratado, o risco de escalada nuclear entre as duas maiores potências do planeta se torna significativamente maior.

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