Ex-presidente da Alerj, Bacellar loteou cargos públicos com deputados do Rio, aponta PF; veja planilha
Relatório da PF obtido pelo SBT News revela planilha com divisão de cargos entre aliados de Bacellar; quase 87% dos deputados citados votaram pela soltura dele



Cézar Feitoza
Anita Prado
Valentina Moreira
Relatório da Polícia Federal aponta que o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), teria loteado cargos públicos no estado, enquanto articulava sua candidatura ao governo local.
O documento, obtido pelo SBT News, mostra planilhas que indicam que deputados estaduais aliados já teriam negociado previamente espaços em órgãos como a própria Alerj e o Detran-RJ.
A PF descreve uma divisão estruturada de cargos entre parlamentares da base de Bacellar, com registros que indicariam a distribuição de postos estratégicos no serviço público. Entre os nomes citados na planilha estão o pré-candidato ao governo do Rio pelo PL, Douglas Ruas, e o atual presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL).

O relatório aponta ainda que 87,7% dos parlamentares supostamente beneficiados votaram pela soltura de Bacellar após a prisão dele na segunda fase da Operação Zargun.
Bacellar foi indiciado pela Polícia Federal por vazamento de informações sigilosas ao ex-deputado estadual TH Joias, também indiciado no inquérito. O político presidia a Alerj desde 2023 e era considerado um dos favoritos na disputa pelo governo do estado na sucessão do governador Cláudio Castro.

Outro lado
Em nota, a defesa do deputado Rodrigo Bacellar afirmou que o parlamentar “não atuou, de nenhuma forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, sendo certo que isso restará demonstrado”.
A defesa de TH Joias informou que nega qualquer participação em possibilidade de vazamento de informações a qualquer organização criminosa do Rio. Segundo os advogados, a relação com Rodrigo Bacellar “é uma relação urbana e de parlamento entre colegas de parlamento”.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa do desembargador Macario Neto.









