Enel contesta Aneel e diz que não houve piora do desempenho no último apagão em SP
Análise técnica da Aneel indicou que houve "fragilidades na capacidade de resposta adotada" pela Enel São Paulo


Reuters
A distribuidora Enel São Paulo encaminhou contestação à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a fiscalização do regulador que apontou desempenho insatisfatório da empresa no apagão de dezembro do ano passado, afirmando que a avaliação não traz "critérios objetivos" e que não se pode afirmar que houve piora do desempenho em relação a anos anteriores.
A análise técnica da Aneel sobre a última grande ocorrência de falta de luz na região metropolitana de São Paulo, após a passagem de um ciclone extratropical, indicou que houve "fragilidades na capacidade de resposta adotada" pela Enel São Paulo.
Entre os problemas enxergados pela Aneel, estão "baixa produtividade" das equipes da Enel no tratamento de interrupções de energia, redução significativa de equipes durante o período noturno e da madrugada, e indícios de falhas ou falta de manutenção nas redes.
Em sua resposta, a Enel São Paulo defende que a avaliação foi feita "sem amparo em parâmetros objetivos e sem indicar qualquer norma específica que teria sido descumprida pela distribuidora".
Segundo a companhia, embora o evento climático de dezembro de 2025 tenha sido inédito e tenha apresentado maior severidade e complexidade, a resposta da empresa para restabelecer os serviços aos mais de 4 milhões de consumidores afetados foi "significativamente mais rápida e eficiente do que em eventos anteriores".
Pelos números da Enel, entre 2023 e 2025 houve um avanço de 19,1 pontos percentuais na taxa de restabelecimento aos consumidores em até 24 horas após o evento climático, passando de 61,1% para 80,2% do total de clientes interrompidos.
A empresa apontou ainda "inadequação metodológica" para avaliar a produtividade de suas equipes, além de ausência de um parâmetro técnico ou regulatório que aponte uma proporção ideal de veículos que deveriam ser mobilizados para o evento.
"Por tais razões, a Enel SP solicita a reavaliação das conclusões constantes da nota técnica, a fim de que seja reconhecido que o desempenho da distribuidora foi compatível com a magnitude do evento", escreveu a empresa, pedindo em seguida o arquivamento do processo.
A diretoria da Aneel marcou para 24 de março sua análise final sobre a recomendação de caducidade do contrato da Enel São Paulo, em análise que deverá abranger o desempenho da distribuidora em apagões em 2024 e 2025.









