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Começa nesta quinta-feira (05) a nova corrida por armas nucleares

Fim do New Start libera os países a aumentar o arsenal nuclear

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Renato Machado
05/02/2026, 13:07 • Atualizado em 05/02/2026, 13:07
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Donald Trump e Vladimir Putin em Buenos Aires | Foto: REUTERS/Marcos Brindicci

Donald Trump e Vladimir Putin em Buenos Aires | Foto: REUTERS/Marcos Brindicci

Esta quinta-feira (5) marca o primeiro dia de um mundo sem o acordo que limita as armas nucleares em poder de Estados Unidos e Rússia, o chamado New Start. Em uma situação inédita desde a década de 1970, as duas potências com os maiores arsenais do mundo, na prática, podem se sentir livres para aumentar seus estoques e dar início a uma nova corrida nuclear.

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Inicialmente, os governos de Donald Trump e Vladimir Putin se mostravam favoráveis a negociações para um novo acordo ou pelo menos para prorrogar suas obrigações por um ano -- o acordo em si não pode ser novamente prorrogado. A Rússia depois apontou que suas iniciativas eram seguidas de silêncio americano, mas ela própria era constantemente acusada de violar o acordo, ao evitar inspeções.

Em entrevista ao New York Times, no mês passado, Donald Trump foi questionado sobre o fim do acordo. "Se expirar, expirou", disse.

O ex-presidente russo Dmitri Medvedev, que assinou o acordo em 2010 com Barack Obama, descreveu um cenário catastrófico. Em uma postagem nas redes sociais, o atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, postou uma imagem com os dizeres "Winter is coming", em referência ao seriado Game of Thrones.

O acordo previa a limitação a 1550 ogivas nucleares por cada país, além de restrições para mísseis balísticos intercontinentais e lançados por submarinos. Mas o ponto principal era a transparência, com a permissão para até 18 inspeções in loco por ano nas instalações do outro país, troca de dados, informações de telemetria.

Obviamente que Estados Unidos e Rússia são signatários e por isso devem seguir os pontos do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), de 1968. No entanto, esse acordo não tem limites e nem metas de redução. E sem contar que Trump e Putin preferem respeitar acordos feitos um com o outro do que o direito internacional, como deixam claro as ações na Ucrânia e na Venezuela.

O primeiro reflexo do fim do New Start é que Rússia e Estados Unidos devem iniciar uma corrida para ampliar seus arsenais, em particular no momento em que o primeiro trava uma guerra contra a Ucrânia, e o segundo mantém uma retórica expansionista e já determinou a América Latina como sua área de influência.

Uma Rússia com caminho livre para produzir armas nucleares também dá mais poder para Vladimir Putin nas negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Um possível novo acordo nuclear entre russos e americanos pode certamente estar atrelado ao conflito no leste europeu, significando concessões do lado ucraniano.

Além disso, o efeito pode não ser apenas relacionado a esses dois países. Uma das bases do TNP é um compromisso implícito de que países não buscariam obter armas nucleares, desde que aqueles que já as possuem seguissem reduzindo ou limitando seus arsenais. E os diversos acordos nucleares entre Estados Unidos e Rússia, desde a época da União Soviética, eram as principais garantias dessa limitação. Ou seja, o fim do New Start também pode minar o TNP.

Não deixa de ser irônico que emissários americanos vão negociar com o Irã o fim do programa nuclear do regime dos aiatolás no dia seguinte ao fim do New Start.

Agora analisando a situação sob uma perspectiva otimista -- embora pouco realista no momento: o fim do New Start pode, passado o momento de tensão, levar a um acordo de limitação de armas nucleares mais amplo.

O próprio Donald Trump já disse que gostaria de envolver a China no escopo, considerando que Pequim vem multiplicando seu arsenal. Europa, que tem Reino Unido e França com armas, também poderia ser envolvida, em troca de garantias dos Estados Unidos de que não vai implodir a Otan.

No entanto, até que Estados Unidos, Rússia e outros decidam se sentar à mesa -- e se isso vier a acontecer -- o que vai prevalecer é um clima de revival dos tempos de ameaça nuclear do século passado.

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