Xi Jinping pede que EUA tenham 'prudência' ao fornecer armas para Taiwan
Líderes conversaram por telefone na quarta-feira (4), em primeiro diálogo desde novembro de 2025


Camila Stucaluc
O líder da China, Xi Jinping, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tenha “prudência” ao fornecer armas para Taiwan. A solicitação foi feita durante telefonema na quarta-feira (4), em conteúdo revelado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês nesta quinta-feira (5).
“Xi Jinping enfatizou que a questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-americanas. Taiwan é território da China, e a China deve defender sua soberania nacional e integridade territorial, e é impossível deixar Taiwan se dividir. Os Estados Unidos devem conduzir as vendas de armas para Taiwan com prudência”, disse a pasta.
A tensão entre China e Taiwan vem aumentando nos últimos anos. Isso porque Pequim continua reivindicando a ilha como parte da zona chinesa, apesar da separação dos territórios em 1949 na guerra civil. A chamada política “uma só China” já resultou em inúmeras incursões chinesas próximas de Taipé desde 2022, inclusive com testes envolvendo munições reais.
Apesar de não reconhecer oficialmente Taiwan como um país, os Estados Unidos são um dos maiores apoiadores e fornecedores da ilha. Em dezembro do ano passado, o Departamento de Estado aprovou a venda de US$ 11,1 bilhões em armas para Taiwan, o maior pacote de armamentos já destinado à região. A medida, segundo anunciou a pasta, é manter a manutenção da capacidade de autodefesa da ilha.
À época, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, expressou indignação, afirmando que a venda "prejudica gravemente a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan". Em tom de ameaça, ainda disse que “ao apoiar a 'independência de Taiwan' com armas, os Estados Unidos só atrairão problemas para si mesmos”. “Usar Taiwan para conter a China está absolutamente fadado ao fracasso”, frisou.
Na nova conversa, Xi e Trump se comprometeram a fortalecer o diálogo e a gerenciar as diferenças. Disseram, ainda, que continuarão trabalhando para “acumular confiança mútua e encontrar uma forma correta de se entender, para que 2026 se torne um ano para China e Estados Unidos avançarem rumo ao respeito mútuo, à convivência pacífica e à cooperação vantajosa para todos”.









