Conflito já deslocou 3,2 milhões de pessoas no Irã, diz ONU
Número de deslocados internos deve aumentar à medida que as hostilidades persistem



Giovanna Colossi
Camila Stucaluc
Cerca de 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas dentro do Irã desde o início do conflito com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, segundo informou nesta quinta-feira (12) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
De acordo com a agência, o número é baseado em avaliações preliminares sobre famílias que deixaram suas casas. A ACNUR alertou que o total pode continuar aumentando enquanto os combates persistirem, o que representa uma escalada nas necessidades humanitárias no país.
O impacto da guerra também tem atingido crianças em diferentes países da região. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou que a situação está se tornando “catastrófica” para milhões de menores no Oriente Médio. Segundo a agência, mais de 1.100 crianças teriam sido mortas ou feridas desde 28 de fevereiro. O balanço inclui 200 mortes no Irã, 91 no Líbano, quatro em Israel e uma no Kuwait.
Em relação ao número total de vítimas no Irã, o representante do país nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou que pelo menos 1.348 civis morreram e cerca de 17 mil pessoas ficaram feridas desde o início do conflito.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









