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Alemanha descarta pedido de desculpa de premiê por fala em Belém e nega crise com o Brasil

Porta-voz afirma que declaração de Friedrich Merz foi “mal interpretada” e que Brasil segue como principal parceiro alemão na América do Sul

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Antonio Souza
19/11/2025, 22:40 • Atualizado em 19/11/2025, 22:40
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Chanceler Friedrich Merz não irá se desculpar pela declaração contra Belém | Redes Sociais / Reprodução

Chanceler Friedrich Merz não irá se desculpar pela declaração contra Belém | Redes Sociais / Reprodução

O governo da Alemanha afirmou nesta quarta-feira (19) que o chanceler federal Friedrich Merz não irá se desculpar pela declaração em que relatou que jornalistas estavam “contentes” por deixar Belém, no Pará, depois da COP30.

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Segundo o porta-voz Stefan Kornelius, não houve ofensa e não existe qualquer prejuízo nas relações entre os dois países.

Em coletiva de imprensa em Berlim, Kornelius negou que Merz tenha demonstrado “desagrado” ou “repulsa” pela capital paraense.

Ele afirmou que a fala foi mal interpretada e se referia ao cansaço da comitiva após uma viagem longa e noites com pouco descanso.

Segundo o porta-voz, a impressão geral do premiê sobre o Brasil foi “muito positiva”, destacando que o país é o parceiro mais importante da Alemanha na América do Sul, tanto geopoliticamente quanto economicamente.

Kornelius explicou que o comentário de Merz de que ninguém da delegação quis “ficar em Belém” dizia respeito ao desejo dos jornalistas de voltar para casa depois de um voo noturno e um dia intenso de agenda.

“Ele disse que vivemos em um dos países mais bonitos do mundo, referindo-se à Alemanha. O Brasil certamente também está entre os mais bonitos. Isso não me parece condenável”, afirmou o porta-voz.

Questionado sobre a possibilidade de Merz pedir desculpas, Kornelius respondeu: “Não, duas vezes.”

O que o premiê alemão disse?

Merz esteve em Belém nos dias 6 e 7 de novembro para a Cúpula dos Líderes, que antecedeu a abertura da COP30. Ao retornar à Alemanha, o chanceler discursou no Congresso Nacional do Comércio e ironizou sua estadia na capital paraense.

“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: 'Quem de vocês gostaria de ficar aqui?' Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, a noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”, disse o chanceler.

A fala provocou críticas imediatas de autoridades brasileiras e reações nas redes sociais, onde internautas acusaram o premiê de reforçar estereótipos sobre a Amazônia.

Após a controvérsia, o ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider, publicou uma mensagem em português elogiando o Brasil:

“Brasil é um país maravilhoso, com um povo acolhedor e bom anfitrião. Pena que não poderei ficar mais tempo após a COP. Teria algumas ideias, por exemplo, pescar com meus amigos da Amazônia.”

A postagem foi vista como tentativa de suavizar o desgaste criado pelas declarações de Merz.

Lula rebate fala de premiê

Nesta terça-feira (18), o presidente Lula rebateu as declarações negativas de Merz sobre Belém, ironizando o comentário do premiê.

Durante a inauguração da ponte sobre o rio Araguaia, que liga Xambioá (TO) a São Geraldo do Araguaia (PA), Lula afirmou que Merz “não conheceu o Pará de verdade” e declarou que ele “deveria ir a um boteco”

“O primeiro-ministro da Alemanha esses dias se queixou: ‘Ah, eu fui no Pará, mas voltei logo porque eu gosto mesmo é de Berlim’. Ele deveria ter ido a um boteco no Pará. Deveria ter dançado, experimentado a culinária. Ia perceber que Berlim não oferece 10% da qualidade que o estado do Pará tem.”

*Com informações da agência de notícias pública alemã Deutsche Welle (DW)

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