Toffoli muda cronograma, gera novo mal-estar e PF cancela depoimentos do Master
Ministro do STF determinou que os depoimentos ocorram em um intervalo de dois dias, o que irritou a corporação


Anita Prado
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apresente um novo cronograma de depoimentos no caso Banco Master e estabeleceu que as oitivas ocorram em um intervalo de, no máximo, dois dias. Após a decisão, tomada no dia 13 de janeiro, a PF cancelou os depoimentos que estavam agendados para acontecer entre os dias 23 e 28 de janeiro.
Relator da investigação que apura supostas fraudes envolvendo a instituição financeira ligada a Daniel Vorcaro, Toffoli afirmou, em despacho enviado à Polícia Federal, que a reorganização do calendário se deve a limitações de pessoal e à disponibilidade de salas nas dependências do STF.
Na decisão, o ministro determinou que a PF apresente novas datas, concentrando os depoimentos em um intervalo reduzido, para viabilizar a preparação dos atos e a intimação de todos os envolvidos pela Secretaria Judiciária. Toffoli também afirmou que outros pedidos formulados no inquérito só serão analisados após a conclusão dessas diligências.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a decisão gerou mal-estar dentro da Polícia Federal. Integrantes da corporação avaliam que a realização das oitivas nas dependências do STF já era incomum e que a exigência de concentrá-las em apenas dois dias trouxe dificuldades operacionais, o que levou ao cancelamento dos depoimentos.
A tensão entre a PF e o Supremo também se intensificou após uma decisão de Toffoli sobre o destino do material apreendido na segunda fase da operação Compliance Zero. O ministro determinou que os celulares recolhidos fossem encaminhados lacrados diretamente ao seu gabinete, com a exigência de que permanecessem com bateria carregada e sem acesso à internet.
Após reação nos bastidores da Polícia Federal, Toffoli recuou e autorizou que cinco peritos, indicados por ele, atuem como auxiliares da Procuradoria-Geral da República (PGR) na análise do material apreendido.
Esse é mais um capítulo do embate entre o STF e a Polícia Federal no caso Banco Master. Investigadores afirmam, nos bastidores, que enfrentam restrições à condução da apuração e questionam a autonomia da corporação no andamento das diligências.









