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Brasil está numa situação 'muito tranquila', diz ex-secretário do Comércio Exterior ao comentar conflito no Irã

Ao SBT News, Roberto Giannetti afirma que guerra tem impacto sobretudo em países como Índia, China e Japão, que são grandes importadores de petróleo

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O Brasil está numa situação "muito tranquila" em relação a outros países, afirmou o economista Roberto Giannetti, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ao comentar o conflito no Irã durante participação no Jornal do SBT News, nesta segunda-feira (2). O país é autossuficiente em petróleo e é, inclusive, um grande exportador da matéria-prima.

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"Essa guerra tem impacto especialmente em países como Índia, China e Japão, que são grandes importadores de petróleo", disse Giannetti. "O Japão importa 90% do petróleo e 80% passa pelo Estreito de Ormuz. Então, sim, o Japão é que deveria estar preocupado. O Brasil está numa situação muito tranquila. Nós temos autossuficiente, temos até excedentes, exportamos petróleo."

Ainda que o Brasil não seja afetado diretamente pela questão do petróleo, é possível que o conflito no Irã interfira no custo da exportação de produtos brasileiros, segundo Giannetti. O Estreito de Ormuz, rota de navegação fundamental, está fechado, e o governo iraniano afirmou que irá incendiar qualquer navio que tentar passar pelo canal.

O Irã representa menos de 1% das exportações totais do Brasil, mas é um comprador relevante de milho e soja. Em 2025, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões (R$ 14,9 bilhões) em produtos para o Irã, enquanto importou apenas US$ 85 milhões (R$ 439,5 milhões) para a nação persa, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

"É possível que haja a disrupção de algumas linhas cujos navios ficaram parados ou não embarcaram ao longo dos últimos dois, três dias. Por exemplo, tem relato hoje de navios de soja parados no porto de Paranaguá, no porto de Santos, que não saíram porque não sabem onde chegar", afirmou Giannetti.
"No Estreito de Hormuz passam centenas de navios por dia carregando containers, não só petroleiros. Eles descarregam especialmente no porto de Dubai e nos portos da Arábia Saudita, Kuwait e no porto do Catar, Doha. É uma região que tem grandes portos e uma movimentação de containers bastante alta", acrescentou.

Ainda na avaliação de Giannetti, embora o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, acredite que o conflito no Irã possa antecipar a parada do ciclo de cortes de juros da Selic, esta é uma "possibilidade muito remota". Ele ressalta que a inflação no Brasil está "bastante controlável", abaixo do teto, de 4%, e que a taxa de câmbio está se comportando de forma adequada, sem grande volatilidade.

Giannetti classificou a taxa básica de juros no Brasil como "extremamente elevada", afirmou que ela tem levado empresas brasileiras a uma "situação de colapso" e defendeu um recuo para perto de 10% ao ano. O principal referencial de juros da economia brasileira está atualmente em 15% ao ano, um patamar significativamente mais alto do que o observado em países vizinhos.

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