Ministério da Defesa diz que ainda não foi procurado sobre repatriação de brasileiros do Irã
José Múcio afirma que já conversou com chanceler Mauro Vieira sobre situação, mas que, até o momento, ainda não houve solicitação formal

Jaime Lima
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil acompanha com atenção a situação no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Ele confirma que já tratou da situação de brasileiros no país árabe com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, mas pondera que, até o momento, ainda não houve solicitação formal para repatriação.
Questionado por jornalistas sobre a instabilidade no Oriente Médio, o ministro disse que as informações são monitoradas por centros de estudos estratégicos das Forças Armadas e repassadas ao governo federal de forma constante. A respeito da possibilidade de repatriação de brasileiros do Irã, Múcio explicou que o diálogo é constante entre o Ministério da Defesa e o Itamaraty. Segundo ele, o Brasil já atuou em operações semelhantes em outras ocasiões e permanece à disposição, caso seja necessário.
O ministro também declarou que o cenário internacional é marcado pelo aumento de investimentos militares em diversos países. Segundo ele, "não existe mais ninguém desarmado no mundo", o que exige cautela nas relações entre as nações.
"Eu digo muito que o mundo todo se armou, não existe mais ninguém desarmado. De certa forma, isso ajuda a que se tenha mais precauções. Com todo mundo armado, eu digo sempre que a principal arma passou a ser a diplomacia", disse o titular da Defesa.
"Você tem os primeiros debates, combates, as pessoas atacam, os outros se defendem, mas é na sequência que entra a diplomacia. Os jornais de hoje já tão falando que vai haver entendimento, porque todos os países sabem que os outros estão fortemente armados. Uns têm bomba atômica, outros têm equipamento maior, mas desarmado não tem mais ninguém no mundo", completou.
"De maneira que eu acho que nós vamos viver permanentemente nesse conflito", acrescentou Múcio. "A rede social fez com que todos nós nos conectássemos, nós não temos mais barreiras nem fronteiras. Tudo nos toca, mas por enquanto nós estamos nos informando", reforçou.
Ele reforçou que as Forças Armadas brasileiras não se preparam para agressões, mas para a defesa do território nacional, da soberania e das riquezas do país. "Temos forças que são muito menores do que as nossas necessidades. De maneira que eu sou permanentemente um otimista", falou.
"Tem gente que investe 7%, 5%. O Brasil investiu 1%. Para nós é muito pouco. Nós temos que ter o mínimo de 2% da nossa base industrial de defesa", completou Múcio.
Mulheres nas Forças Armadas
As declarações foram dadas nesta segunda, durante a primeira cerimônia de incorporação de mulheres ao Serviço Militar Inicial Feminino, em Brasília.
Ainda durante o evento, ao ser questionado sobre a possibilidade de o serviço militar se tornar obrigatório para mulheres, Múcio afirmou que, neste momento, a participação feminina ocorre de forma voluntária e que o governo está dando "um primeiro passo".
Segundo ele, a inclusão de mulheres no Serviço Militar Inicial já é uma medida consolidada nas Forças Armadas, mas o alistamento feminino continua sendo opcional. Após a incorporação, no entanto, o serviço passa a ser obrigatório por um ano, como ocorre com os homens.
O ministro explicou que foi necessário realizar adaptações estruturais para garantir a participação das voluntárias, incluindo ajustes na organização e na infraestrutura das unidades militares. Ele destacou ainda que a expectativa é ampliar gradualmente o número de mulheres incorporadas.
"A gente vai aumentando ano a ano", afirmou, ao indicar que a meta é expandir de forma progressiva a presença feminina nas Forças Armadas.









