Guarda Revolucionária do Irã anuncia ataque contra gabinete de Netanyahu
Militares afirmaram que chefe de gabinete foi morto em bombardeio; Tel Aviv ainda não se pronunciou


Camila Stucaluc
O Irã afirmou ter atacado o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira (2). Pelas redes sociais, a Guarda Revolucionária do Irã, braço das Forças Armadas, disse que o prédio foi atingido por mísseis, culminando possivelmente na morte do chefe de gabinete, Tzachi Braverman.
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) ainda não confirmaram o ataque. Em comunicado, os militares apenas mencionaram a identificação de mísseis lançados do Irã em direção ao território israelense, dizendo que sistemas de defesa estavam operando para interceptar os projéteis.
“Forças de resgate e emergência do Comando da Frente Interna, em colaboração com organizações de emergência, estão operando em vários locais de impacto em Berseba e, paralelamente, em outros locais por todo o país. As circunstâncias do impacto estão sob investigação”, disseram.
Os militares acrescentaram que continuam com a operação contra o Irã, lançada em parceria com os Estados Unidos, mirando “alvos do regime iraniano”. Segundo o grupo, os ataques já resultaram na morte de importantes figuras de Teerã, como Sayed Yahya Hamidi, vice-ministro de Inteligência para 'Assuntos de Israel', e Jalal Pour Hossein, Chefe da Divisão de Espionagem.
As tropas israelenses afirmaram ainda que lançaram mísseis contra alvos do grupo Hezbollah, aliado de Teerã, em resposta aos ataques anteriores. Os projéteis foram lançados por todo o Líbano, onde o grupo é dominante, incluindo na capital, Beirute. Até o momento, pelo menos 31 pessoas morreram e outras 149 ficaram feridas.
“A organização terrorista Hezbollah escolheu aderir ao regime terrorista iraniano e, a partir de agora, arcará com as consequências do ataque contra o Estado de Israel. Como parte dos ataques, as FDI miraram comandantes seniores da organização terrorista na área de Beirute. Paralelamente, a Força Aérea e a Marinha atacaram dezenas de quartéis-generais em todo o Líbano”, disseram.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano revelou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.









