Política

Lula critica Conselho de Segurança da ONU e diz que ele deveria ser alterado 'imediatamente'

Presidente pontuou que os cinco membros permanentes do órgão são os maiores produtores de armas, o que é incompatível com seu propósito

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Sofia Pilagallo
17/04/2026, 03:03 • Atualizado em 17/04/2026, 03:03
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Lula envia projeto do fim da jornada de trabalho 6x1 ao Congresso | Ricardo Stuckert/PR

Lula envia projeto do fim da jornada de trabalho 6x1 ao Congresso | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o Conselho de Segurança da ONU, que, para ele, deveria ser alterado "imediatamente". Ele pontuou que os cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) são os maiores produtores de armas, o que é incompatível com o propósito do Conselho — preservar a paz no mundo.

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O presidente defendeu ainda a inclusão de membros permanentes representantes da África, Oriente Médio, o próprio Brasil ou a Alemanha. Para ele, a composição atual do Conselho é obsoleta e atua para manter os privilégios de potências desenvolvidas, falhando em prevenir conflitos.

"A Carta das Nações Unidas estabelece que o Conselho de Segurança foi criado para preservar a paz no mundo. Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?", questionou Lula em entrevista à revista alemã "Der Spiegel" publicada nesta quinta-feira (16), quando o presidente embarcou em uma viagem à Europa.
"São eles que possuem armas nucleares e travam guerras. A França e o Reino Unido intervieram na Líbia, os Estados Unidos invadiram o Iraque, a Rússia atacou a Ucrânia, Israel é responsável pela destruição de Gaza. E, agora, os Estados e Israel estão em guerra contra o Irã", acrescentou.

Ainda na entrevista, Lula voltou a criticar Trump, afirmando que ele "não foi eleito o imperador do mundo" e não pode "ameaçar outros países com guerra o tempo todo". Ele ainda apontou o impacto de guerras sobre os pobres, afirmando que as consequências das guerras acabam recaindo sobre os mais pobres, geralmente da África e da América Latina.

Lula também mencionou ter conversado com líderes como Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Emmanuel Macron (França) sobre a necessidade de conter a escalada de conflitos, mas que "ninguém deu ouvidos". Nesse sentido, cobrou uma postura mais contundente do secretário-geral da ONU, Antonio Gutiérrez, para a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária.

"Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha", disse Lula, ao ser questionado sobre o futuro do multilateralismo.
"Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta dessa guerra sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras. O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária para que Trump, Putin e os outros prestem contas", acrescentou.

À "Der Spiegel", Lula não confirmou que irá concorrer à reeleição em outubro, condicionando a decisão à convenção do Partido dos Trabalhadores (PT), apesar de admitir que está se "preparando" para a missão, física e psicologicamente. "Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até os 120 anos", declarou.

Nesta semana, o jornal britânico "The Guardian" citou vídeos de Lula praticando atividade física, chamou as imagens de "contraste" ao seu principal oponente nas eleições, Flávio Bolsonaro e citou o desmaio do senador do PL durante um debate eleitoral em 2016. O texto ressalta que, nas redes, seguidores do presidente contrastam sua "aparente robustez física" com a "suposta fragilidade" de Flávio.

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