Governo espera reverter apenas parte das tarifas dos EUA
Planalto aposta em negociação para derrubar taxas de 25%, mas avalia como difícil a reversão de nova leva ligada ao trabalho forçado


O presidente Lula | Reuters/Adriano Machado
O governo Lula (PT) avalia que apenas parte das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos poderá ser revertida antes de 15 de julho.
Segundo interlocutores, as sobretaxas de 25% direcionadas ao Brasil, que envolvem temas como desmatamento e o Pix, são consideradas negociáveis.
Já as tarifas de até 12,5%, anunciadas na noite de terça-feira (12) e baseadas em alegações de trabalho forçado, são vistas como de difícil reversão.
A aposta do governo está nas reuniões do grupo de trabalho criado no mês passado entre Brasil e Estados Unidos. A primeira fase das conversas tem prazo até domingo (7) e vai buscar, ainda em tempo, reverter as primeiras tarifas anunciadas.
Caso não haja acordo ao fim dos 30 dias previstos inicialmente, o Brasil pretende pedir a extensão das negociações até 15 de julho, prazo final para contestação das medidas.
Por enquanto, as tratativas seguirão concentradas em temas comerciais e tarifários. Assuntos como minerais críticos e big techs devem seguir fora da mesa de negociação.
A avaliação no governo é de que será necessário identificar áreas em que os Estados Unidos tenham interesse em ampliar o acesso ao mercado brasileiro e avaliar possíveis flexibilizações, desde que tragam contrapartidas ao Brasil.
Em relação às tarifas de até 12,5%, que atingem outros 59 países sob a justificativa de combate ao trabalho forçado, a avaliação é de que a medida já era esperada e dificilmente será retirada.
A leitura é que, além do número de países afetados, Washington deve manter o argumento de que há comércio desleal associado à exploração de mão de obra.
Diante desse cenário, o governo brasileiro já indicou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade para responder às medidas norte-americanas.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), o Planalto afirmou que o Brasil “se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.















