Lula provoca Trump para obter ganhos eleitorais, diz Flávio
Pré-candidato à Presidência atribuiu responsabilidade pelo tarifaço a perfil confrontativo do petista


Flávio Bolsonaro em entrevista ao jornal O Tempo | Reprodução/YouTube
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, disse nesta quarta-feira (3) que as duas rodadas de tarifaços anunciadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros são resultado de provocações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao americano Donald Trump.
Em entrevista ao jornal O Tempo, Flávio reiterou ter enviado uma carta ao governo americano com o pedido para que as sobretaxas não sejam aplicadas, já que considera que a carga tributária atual já faz com que as empresas sejam “muito penalizadas". Ele cumpre agenda em Minas Gerais nesta semana e esteve em Contagem durante a manhã.
“Eu fiz um pedido explícito para ele [Trump], mas o Lula a todo momento provoca, atiça o presidente dos Estados Unidos. Para quê? Para que haja uma reação como essa e ele, Lula, colha os frutos eleitorais disso", afirmou.
A carta foi enviada na terça (2) diretamente ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em inglês, Flávio agradece antes pela “cordialidade” em que foi recebido na série de agendas realizadas em Washington no último mês e pela designação das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Depois, diz que o Brasil vive cenário de “grave deterioração fiscal” e que as novas tarifas vão causar “sérios danos ao povo brasileiro”.
A reação do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é um esforço para mudar o foco da responsabilidade pelas tarifas na percepção pública. Dados da Palver, empresa de tecnologia que faz monitoramento digital, mostram que 81% dos internautas acreditam que o pré-candidato do PL tem relação direta ou indireta nas tarifas propostas pelo governo norte-americano. As mensagens associam o nome do parlamentar a prejuízos para o país, os riscos ao Pix e à soberania nacional.
Mas, para Flávio, a responsabilidade recai sobre o adversário. “Essa tarifa sobre as empresas brasileiras é a tarifa do Lula, pelo seu comportamento, pela sua falta de habilidade", disse na entrevista.
Entenda as tarifas
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) investigou práticas comerciais do Brasil e considerou que há margem para a aplicação de duas tarifas cumulativas: uma de 25% e outra de 12,5%. A primeira é referente a desvantagens no livre comércio, como o sistema de pagamentos Pix, produtos falsificados e desmatamento. Já a segunda trata da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como mostrou o SBT News, o chanceler Mauro Vieira ouviu do principal representante comercial dos EUA a promessa de que o diálogo com o Brasil, que tenta reverter a decisão americana, seguirá em curso. A previsão é as tarifas entrem em vigor a partir de 15 de julho.















