Cidades

Justiça mantém prisão de MC Ryan, Poze do Rodo e influenciadores em operação da PF

Cantores e influenciadores estão entre os 33 alvos da ação; uma investigada teve prisão convertida em domiciliar

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Agência SBT
17/04/2026, 03:08 • Atualizado em 17/04/2026, 03:08
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MC Ryan e Poze do Rodo | Reprodução redes sociais

MC Ryan e Poze do Rodo | Reprodução redes sociais

A Justiça Federal manteve as prisões temporárias dos cantores MC Ryan e Poze do Rodo, além do influenciador Chrys Dias e do responsável pela página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, investigados na Operação Narcofluxo, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15).

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Segundo a Justiça, todos os 33 investigados tiveram a prisão temporária mantida após audiência de custódia. No caso de Débora Paixão, mulher de Chrys Dias, a Justiça determinou a conversão da prisão em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a decisão, o processo tramita sob sigilo absoluto, com acesso restrito às partes envolvidas. Informações detalhadas sobre o cumprimento dos mandados seguem sob responsabilidade da Polícia Federal.

A reportagem solicitou posicionamento da Polícia Federal, mas não houve resposta até a última atualização desta matéria.

Os investigados foram presos na manhã desta quarta-feira (15), na operação da PF que tem como objetivo desarticular uma associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores no Brasil e no exterior, inclusive por meio de criptoativos.

Segundo a PF, as investigações indicam que o grupo utilizava um sistema para ocultação e dissimulação de valores, com operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos.

De acordo com a corporação, o volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão.

Como funcionava o esquema

A ação é um desdobramento da Operação Narco Bet, que apura o uso de apostas para a lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o grupo utilizava recursos de origem criminosa, inclusive do tráfico internacional de drogas, movimentados por dinheiro em espécie, transferências bancárias e criptoativos, especialmente o USDT (Tether).

Essa combinação de operações financeiras formais, transporte de dinheiro em espécie e transações com ativos digitais aumentava a complexidade do esquema e dificultava a identificação da origem dos recursos.

O uso de criptoativos, de acordo com a investigação, também permitia a movimentação de valores no exterior, reduzindo a capacidade de rastreamento por autoridades brasileiras e levantando suspeitas de evasão de divisas.

Os investigadores apontam ainda o uso de estruturas empresariais para dar aparência legal aos valores movimentados. Essas empresas teriam sido utilizadas para misturar recursos lícitos e ilícitos, prática comum em esquemas de lavagem.

Como resposta, a Justiça determinou restrições societárias e o sequestro de bens ligados aos investigados, numa tentativa de interromper o fluxo financeiro.

Conforme a PF, MC Ryan SP (Ryan Santana dos Santos) atuaria no centro da organização, com participação no controle de “empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais”.

“Segundo apurado, o investigado teria estruturado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e pessoas interpostas, utilizando operadores financeiros para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinserilo na economia formal mediante aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor”, diz o mandado de busca e apreensão.

A defesa de Ryan diz que "todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável".

Estrutura operacional

Entre os nomes citados na investigação está Chrystian Mateus Dias Ramos (Chrys Dias), apontado como um dos financiadores relevantes do esquema e ligado à empresa Casal Imports. Ele teria participado da movimentação de recursos oriundos de rifas digitais para empresas do grupo.

A PF descreve uma organização com divisão de funções. Entre os citados estão:

- Tiago de Oliveira, apontado como braço-direito de Ryan e responsável por centralizar e redistribuir recursos

- Alexandre Paula de Sousa Santos (“Belga” ou “Xandex”), que atuaria como intermediário entre plataformas de apostas e empresas do grupo;

- Rodrigo de Paula Morgado, descrito como contador e operador financeiro, com atuação na ocultação patrimonial

- Arlindma Gomes dos Santos (“Nene Gomes”), ligado à logística financeira

- Lucas Felipe Silva Martins, apontado como “testa de ferro”, que teria exercido função de conta de passagem e aquisição de bens de luxo em nome de MC Ryan SP

- José Ricardo dos Santos Junior, identificado como marketeiro e operador financeiro.

No âmbito internacional, uma das estruturas centrais seria a fintech Golden Cat, ligada aos imigrantes chineses Xizhangpeng Hao (controlador) e Sun Chunyang (ex-sócio administrador da fintech).

A empresa é descrita pela Justiça Federal como uma "grande processadora de pagamentos que movimenta centenas de milhões de reais e funciona como eixo central para arrecadação de recursos provenientes de apostas ilegais".

Os valores enviados ao exterior eram destinados a Jiawei Lin.

Atuação dos MCs e dono da Choquei

Segundo a Polícia Federal, MC Poze do Rodo (Marlon Brendon Coelho Couto da Silva) “aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e aposta”.

Em nota, a defesa disse "desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão". E que, quando isso acontecer "se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário".

A defesa de MC Ryan também disse que não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos. E segue: "ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.

A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada."

Sobre o influenciador Raphael Sousa Oliveira, a PF diz que o perfil Choquei atuava como “operador de mídia da organização”, recebendo altos valores diretamente de Ryan, Tiago e José Ricardo.

“Sua função consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagens relacionadas às investigações", diz o pedido de busca e apreensão criminal da PF.

A assessoria da Choquei foi procurada, mas não respondeu até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Operação e medidas judiciais

Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e outras medidas para atingir a base financeira do grupo.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos “veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos”, que devem subsidiar o aprofundamento das investigações.

Ao todo, foram expedidos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, cumpridos em nove Estados e no Distrito Federal por determinação da Justiça Federal em Santos (SP).

Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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