Conflito no Oriente Médio não deve atingir economia brasileira de imediato, afirma Haddad
Ministro da Fazenda diz que bom momento do país e superávit no petróleo protegem no curto prazo, mas eventual escalada da guerra pode mudar cenário

Lucas Carvalho
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (2) que a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não deve gerar impactos imediatos sobre a economia brasileira. Ele ponderou, no entanto, que uma eventual escalada do conflito pode modificar esse quadro.
Haddad participou da aula magna de abertura do ano letivo de 2026 na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, na capital paulista.
Segundo Haddad, o atual ciclo favorável da economia nacional funciona como uma espécie de proteção diante de choques externos. O ministro destacou que o país vive um momento positivo na atração de investimentos, o que tende a suavizar oscilações no curto prazo.
“A equipe econômica está acompanhando atentamente, porque a dimensão que esse conflito pode alcançar é determinante. Hoje, o Brasil atravessa uma fase muito boa na atração de capital. Mesmo que haja alguma turbulência pontual, isso não deve afetar as variáveis macroeconômicas, a menos que haja uma escalada mais intensa da guerra”, afirmou.
Haddad acrescentou que o governo adotará postura cautelosa diante do cenário internacional. “Vamos monitorar com prudência e, se necessário, estaremos preparados para reagir a uma eventual piora do ambiente econômico, embora neste momento seja difícil prever que isso ocorra”, disse.
O ministro também ressaltou o desempenho do Brasil nas exportações de petróleo, lembrando que o país registra superávit nesse segmento. Para Haddad, essa condição fortalece a resiliência da economia em meio à instabilidade global.
Além disso, mencionou a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cenário internacional, especialmente no diálogo junto à Organização das Nações Unidas, em defesa de uma solução diplomática para o conflito.
“O Brasil tem uma pauta exportadora sólida, com saldo positivo em petróleo. Não se trata de tirar proveito da situação. O presidente Lula tem sido uma voz relevante na defesa do diálogo e da paz. Seguiremos atentos e adotaremos medidas, se necessário”, concluiu.
Questionado sobre possível participação na visita de Lula a Washington, prevista para este mês, o ministro afirmou que ainda não há definição sobre a agenda. Segundo ele, o assunto deve ser discutido com o presidente nesta terça-feira (3), quando ambos cumprem compromissos em São Paulo.








