Policial afastada após matar mulher em SP recebe 'promoção'; entenda
Nova lei que afeta a estrutura hierárquica da PM faz com que Yasmin Cursino Ferreira passe a ser nomeada como 'soldado' e receba um aumento salarial


Sofia Pilagallo
Agência SBT
Fabio Diamante
Uma nova legislação que afeta diretamente a estrutura hierárquica da Polícia Militar faz com que a policial afastada após matar uma mulher durante intervenção policial na zona leste de São Paulo no início deste mês passe a ser nomeada como "soldado" e receba um aumento salarial. A mudança ocorre exatos 14 dias depois da ação que resultou na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos.
A informação foi publicada no diário oficial desta sexta-feira (17) e passou a contar desde 2 de abril, segundo a publicação. Até então, Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, trabalhava como aluno-soldada, posto considerado uma espécie de estágio probatório, mas com características de vínculo empregatício público.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) explicou que não se trata de promoção. Segundo o órgão, uma nova lei extinguiu a divisão entre soldados de 1ª e 2ª classe, unificando a graduação como "Soldado PM" e garantindo equiparação salarial automática aos que eram da antiga 2ª classe.
"A Polícia Militar esclarece que não houve qualquer promoção da policial citada, que permanece afastada de suas funções. A recente publicação reflete apenas o cumprimento da Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026. A nova legislação extinguiu a antiga divisão entre Soldados de 1ª e 2ª Classe, unificando a graduação sob a nomenclatura única de 'Soldado PM'", afirma a nota.
"Dessa forma, o ajuste salarial de R$ 480 trata-se unicamente da equiparação remuneratória automática garantida pela lei a todos os policiais que ocupavam a extinta 2ª Classe. A corporação ressalta, ainda, que não existe a figura de 'estagiário' na instituição; após a fase de Aluno-Soldado, o policial passa diretamente a atuar como Soldado", acrescenta.
Yasmin segue afastada de suas funções operacionais e é investigada pela Corregedoria da PM e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil. Os órgãos investigam se houve excesso no uso da força e responsabilidade criminal por parte de Yasmin. Ela não usava câmera corporal no momento da ação.
Relembre o caso
O caso ocorreu na madrugada de 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes. Segundo testemunhas, duas viaturas da Polícia Militar perseguiram dois homens em uma moto perto de um baile funk quando os agentes se entenderam com Thawanna e o marido, Luciano, que estavam em um grupo de pessoas.
Os policiais teriam provocado o grupo e chegado a "jogar o veículo para cima da mulher e o do marido dela", de acordo com uma testemunha. Após Thawanna questionar a ação, a confusão escalonou para uma discussão com troca de ofensas e tapas. Então, em dado momento, Yasmin sacou uma arma e atirou.
Testemunhas denunciaram que os policiais não deixaram Thawanna ser socorrida em um primeiro momento. Luciano contou que pedia para chegar perto da esposa, mas que os policiais não permitiram e o mantiveram afastado enquanto ele pedia ajuda. Baleada na barriga, a vítima ficou caída no meio da rua por cerca de 40 minutos.
Thawanna foi levada ao hospital e passou por cirurgia, mas não resistiu. Luciano relatou que só soube da morte depois de prestar depoimento na delegacia. O caso foi registrado como resistência à prisão contra Thawanna e a morte foi citada como "comunicação de óbito"; Yasmin foi liberada.









