Meirelles: Brasil terá que fazer "ajuste fiscal muito sério"
Ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda afirma que políticas fiscal e monetária precisam ser sintonizadas
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Larissa Alves, Felipe Moraes
Henrique Meirelles | Reprodução/YouTube
Henrique Meirelles (União Brasil) afirmou nesta terça-feira (1º) que o vencedor da eleição presidencial precisará "fazer um ajuste fiscal muito sério".
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Na avaliação do ex-ministro da Fazenda, "a situação monetária não está muito boa" por causa de uma combinação "que não funciona muito": política fiscal expansionista e política monetária contracionista. "Isso aí neutraliza um pouco, tem que jogar uma taxa de juros muito alta pra ter um resultado mais ou menos."
"É o caso agora, taxa de juros bastante elevada e, no entanto, o resultado de tudo isso ainda é inflação acima da meta pra esse ano. Nós temos que sintonizar as duas políticas. Outra saída, de fato, é o controle fiscal", explicou, em discurso no evento "Cenários do Brasil", do Lide, empresa da qual é copresidente do Conselho Consultivo.
Principal ferramenta do BC para controlar a inflação, a taxa básica de juros, Selic, está em 14% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início de agosto.
O IPCA-15, prévia da inflação oficial, marcou queda de 0,40% em agosto, com alta de 3,09% em 2026 e de 4,24% em 12 meses. A meta perseguida pela autoridade monetária é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (de 1,5% a 4,5%).
O Boletim Focus, relatório semanal apurado pelo BC junto ao mercado financeiro, estimou nessa segunda (31) que o IPCA fechará 2026 em 5,01%, acima da meta. Para 2027, a expectativa é de 4,28%. Já para 2028, a projeção aponta 3,80%.
"O fato concreto é que estamos vivendo um momento decisivo. Um processo eleitoral em andamento em que existe uma polarização política. No entanto, existe um ponto comum. Independentemente de quem seja o candidato ou qual é o programa, importante mencionar que temos necessidade agora de um ajuste fiscal. Esse é o ponto fundamental", disse Meirelles.
"Temos, de fato, uma grande oportunidade através da entrada de um novo governo, seja lá qual dos dois", completou, sem citar nominalmente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Sétimo colocado na disputa presidencial de 2018, quando concorreu ao Planalto pelo MDB, o ex-presidente do Banco Central (BC) opinou que "o melhor programa social que existe é o emprego" e que o país precisa discutir a questão da produtividade.
"Nós temos que criar empregos e não apenas subsidiar através de programas sociais", defendeu. "Se fala pouco [de produtividade] no Brasil. Mas o fato é, como já disse o economista Paul Krugman, que produtividade não é tudo. No entanto, a longo prazo, é quase tudo", falou.
"Nós temos ajuste fiscal necessário, mas questão de meio e longo prazo que decide a sorte de um país é a produtividade. E nós estamos hoje com produtividade que é um quarto da norte-americana. Nós já tivemos, principalmente na década de 1970, produtividade que era cerca de metade da norte-americana", comparou.
Ele apontou que o incremento da produtividade passa por mais investimentos em educação, sobretudo na capacitação da força de trabalho.
"Educação não significa apenas fundamental, básica, superior. É necessária, mas demanda tempo, não podemos ficar apenas esperando isso. A educação através do ensino técnico, de treinamento do trabalhador, esta é necessária e que dá resultados rápidos", acrescentou.
Meirelles trabalhou como presidente do BC de 2003 a 2011, nos dois primeiros mandatos do presidente Lula, e foi ministro da Fazenda entre 2016 e 2018, no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). De 2019 a 2022, chefiou a Secretaria de Fazenda e Planejamento de São Paulo na gestão do ex-governador João Doria (sem partido).
Meirelles: Brasil terá que fazer "ajuste fiscal muito sério"Ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda afirma que políticas fiscal e monetária precisam ser sintonizadasEconomia2026-09-01T14:23:02.645ZHenrique Meirelles (União Brasil) afirmou nesta terça-feira (1º) que o vencedor da eleição presidencial precisará "fazer um ajuste fiscal muito sério". 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Na avaliação do ex-ministro da Fazenda, "a situação monetária não está muito boa" por causa de uma combinação "que não funciona muito": política fiscal expansionista e política monetária contracionista. "Isso aí neutraliza um pouco, tem que jogar uma taxa de juros muito alta pra ter um resultado mais ou menos." "É o caso agora, taxa de juros bastante elevada e, no entanto, o resultado de tudo isso ainda é inflação acima da meta pra esse ano. Nós temos que sintonizar as duas políticas. Outra saída, de fato, é o controle fiscal", explicou, em discurso no evento "Cenários do Brasil", do Lide, empresa da qual é copresidente do Conselho Consultivo. Principal ferramenta do BC para controlar a inflação, a taxa básica de juros, Selic, está em 14% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início de agosto. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, marcou queda de 0,40% em agosto, com alta de 3,09% em 2026 e de 4,24% em 12 meses. A meta perseguida pela autoridade monetária é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (de 1,5% a 4,5%). O Boletim Focus, relatório semanal apurado pelo BC junto ao mercado financeiro, estimou nessa segunda (31) que o IPCA fechará 2026 em 5,01%, acima da meta. Para 2027, a expectativa é de 4,28%. Já para 2028, a projeção aponta 3,80%. "O fato concreto é que estamos vivendo um momento decisivo. Um processo eleitoral em andamento em que existe uma polarização política. No entanto, existe um ponto comum. Independentemente de quem seja o candidato ou qual é o programa, importante mencionar que temos necessidade agora de um ajuste fiscal. Esse é o ponto fundamental", disse Meirelles. "Temos, de fato, uma grande oportunidade através da entrada de um novo governo, seja lá qual dos dois", completou, sem citar nominalmente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sétimo colocado na disputa presidencial de 2018, quando concorreu ao Planalto pelo MDB, o ex-presidente do Banco Central (BC) opinou que "o melhor programa social que existe é o emprego" e que o país precisa discutir a questão da produtividade. "Nós temos que criar empregos e não apenas subsidiar através de programas sociais", defendeu. "Se fala pouco [de produtividade] no Brasil. Mas o fato é, como já disse o economista Paul Krugman, que produtividade não é tudo. No entanto, a longo prazo, é quase tudo", falou. "Nós temos ajuste fiscal necessário, mas questão de meio e longo prazo que decide a sorte de um país é a produtividade. E nós estamos hoje com produtividade que é um quarto da norte-americana. Nós já tivemos, principalmente na década de 1970, produtividade que era cerca de metade da norte-americana", comparou. Ele apontou que o incremento da produtividade passa por mais investimentos em educação, sobretudo na capacitação da força de trabalho. "Educação não significa apenas fundamental, básica, superior. É necessária, mas demanda tempo, não podemos ficar apenas esperando isso. A educação através do ensino técnico, de treinamento do trabalhador, esta é necessária e que dá resultados rápidos", acrescentou. Meirelles trabalhou como presidente do BC de 2003 a 2011, nos dois primeiros mandatos do presidente Lula, e foi ministro da Fazenda entre 2016 e 2018, no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). De 2019 a 2022, chefiou a Secretaria de Fazenda e Planejamento de São Paulo na gestão do ex-governador João Doria (sem partido).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/meirelles-brasil-tera-que-fazer-ajuste-fiscal-muito-serio