Alckmin defende ajuste após dívida subir a 82,5% do PIB
Vice-presidente diz que ajuste da dívida exige conter gastos sem travar o crescimento; dívida bruta chegou a R$ 10,9 tri, maior nível desde a pandemia
Caio Barcellos
Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) | Divulgação/Valter Campanato/Agência Brasil
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil precisa reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) e disse que o ajuste das contas deve combinar maior controle das despesas com medidas que preservem o crescimento da economia.
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“Há que se fazer um esforço de melhorar a relação dívida sobre Produto Interno Bruto (PIB), eu acho que essa é a questão central”, declarou Alckmin durante um painel do Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual, ao lado do banqueiro André Esteves, fundador e principal acionista do banco.
A fala ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central (BC) informou que a Dívida Bruta subiu para 82,5% do PIB em julho, o equivalente a R$ 10,9 trilhões, depois de encerrar junho em 81,9%. O indicador reúne as dívidas do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos estados e dos municípios.
Segundo o vice-presidente, uma estratégia baseada apenas na redução das despesas pode prejudicar a atividade econômica e, consequentemente, dificultar a própria melhora do indicador, já que a relação dívida/PIB depende tanto da trajetória do endividamento quanto do crescimento da economia.
Alckmin defendeu, por isso, que o governo contenha os gastos sem comprometer investimentos e atividades capazes de ampliar o PIB. Ele afirmou ainda que a proposta fiscal para 2027 prevê superávit primário de 0,5% do PIB e disse que o Executivo buscará um resultado superior caso haja espaço.
Os números divulgados pelo BC mostram que os juros têm exercido forte pressão sobre a dívida. De janeiro a julho, a dívida bruta aumentou 3,9 pontos percentuais do PIB, movimento em que a incorporação dos juros respondeu por uma alta de 5,7 pontos, enquanto as emissões líquidas de dívida acrescentaram 1,5 ponto. O crescimento nominal do PIB compensou parte desse movimento e retirou 3,1 pontos da relação.
Alckmin também relacionou a situação fiscal ao nível dos juros e afirmou que considera necessária uma redução mais rápida das taxas, embora tenha reconhecido que o custo do crédito está ligado à percepção sobre as contas públicas.
“Claro que entendo, isso é um problemão para a economia. O custo de capital tem que estar associado à questão fiscal”, disse.
Negociação com os EUA
Alckmin também demonstrou otimismo com a retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que terão hoje uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer.
As conversas estavam interrompidas desde julho, quando o governo dos Estados Unidos elevou as tarifas incidentes sobre produtos brasileiros. O encontro ocorre 10 dias depois de uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, realizada em 21 de agosto.
Segundo Alckmin, o governo pretende discutir tanto as tarifas quanto questões regulatórias e outros temas capazes de ampliar os investimentos e o comércio entre os 2 países.
“Não tem tema proibido. Todos os temas tarifários e não tarifários podem e devem ser colocados. Nós temos tudo para ir para um ganha-ganha”, afirmou.
Entre os assuntos que podem entrar na negociação, o vice-presidente citou o Redata, programa destinado a estimular a instalação de data centers no Brasil. Segundo Alckmin, a iniciativa pode atrair até R$ 1 trilhão em investimentos e interessa diretamente aos Estados Unidos, que concentram algumas das maiores empresas globais do setor.
Ele afirmou que a disponibilidade de energia renovável e a existência de excedentes de geração em determinadas regiões podem favorecer a instalação desses empreendimentos no país. O governo também trabalha para avançar na regulamentação de minerais críticos, outro tema considerado estratégico para a relação com os norte-americanos.
Alckmin disse que o Brasil não pretende abandonar a mesa de negociação mesmo que um acordo não seja alcançado imediatamente e afirmou que o objetivo é aprofundar as conversas nos próximos meses.
“Seja hoje ou daqui a alguns meses, vamos chegar a um bom entendimento com os Estados Unidos”, disse
Alckmin defende ajuste após dívida subir a 82,5% do PIBVice-presidente diz que ajuste da dívida exige conter gastos sem travar o crescimento; dívida bruta chegou a R$ 10,9 tri, maior nível desde a pandemiaEconomia2026-08-31T13:35:28.345ZO vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil precisa reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) e disse que o ajuste das contas deve combinar maior controle das despesas com medidas que preservem o crescimento da economia. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. “Há que se fazer um esforço de melhorar a relação dívida sobre Produto Interno Bruto (PIB), eu acho que essa é a questão central”, declarou Alckmin durante um painel do Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual, ao lado do banqueiro André Esteves, fundador e principal acionista do banco. + A fala ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central (BC) informou que a , o equivalente a R$ 10,9 trilhões, depois de encerrar junho em 81,9%. O indicador reúne as dívidas do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos estados e dos municípios. Segundo o vice-presidente, uma estratégia baseada apenas na redução das despesas pode prejudicar a atividade econômica e, consequentemente, dificultar a própria melhora do indicador, já que a relação dívida/PIB depende tanto da trajetória do endividamento quanto do crescimento da economia. Alckmin defendeu, por isso, que o governo contenha os gastos sem comprometer investimentos e atividades capazes de ampliar o PIB. Ele afirmou ainda que a proposta fiscal para 2027 prevê superávit primário de 0,5% do PIB e disse que o Executivo buscará um resultado superior caso haja espaço. Os números divulgados pelo BC mostram que os juros têm exercido forte pressão sobre a dívida. De janeiro a julho, a dívida bruta aumentou 3,9 pontos percentuais do PIB, movimento em que a incorporação dos juros respondeu por uma alta de 5,7 pontos, enquanto as emissões líquidas de dívida acrescentaram 1,5 ponto. O crescimento nominal do PIB compensou parte desse movimento e retirou 3,1 pontos da relação. Alckmin também relacionou a situação fiscal ao nível dos juros e afirmou que considera necessária uma redução mais rápida das taxas, embora tenha reconhecido que o custo do crédito está ligado à percepção sobre as contas públicas. “Claro que entendo, isso é um problemão para a economia. O custo de capital tem que estar associado à questão fiscal”, disse. Negociação com os EUA Alckmin também demonstrou otimismo com a retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que terão hoje uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer. + As conversas estavam interrompidas desde julho, quando o governo dos Estados Unidos elevou as tarifas incidentes sobre produtos brasileiros. O encontro ocorre 10 dias depois de uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, realizada em 21 de agosto. Segundo Alckmin, o governo pretende discutir tanto as tarifas quanto questões regulatórias e outros temas capazes de ampliar os investimentos e o comércio entre os 2 países. “Não tem tema proibido. Todos os temas tarifários e não tarifários podem e devem ser colocados. Nós temos tudo para ir para um ganha-ganha”, afirmou. Entre os assuntos que podem entrar na negociação, o vice-presidente citou o Redata, programa destinado a estimular a instalação de data centers no Brasil. Segundo Alckmin, a iniciativa pode atrair até R$ 1 trilhão em investimentos e interessa diretamente aos Estados Unidos, que concentram algumas das maiores empresas globais do setor. Ele afirmou que a disponibilidade de energia renovável e a existência de excedentes de geração em determinadas regiões podem favorecer a instalação desses empreendimentos no país. O governo também trabalha para avançar na regulamentação de minerais críticos, outro tema considerado estratégico para a relação com os norte-americanos. Alckmin disse que o Brasil não pretende abandonar a mesa de negociação mesmo que um acordo não seja alcançado imediatamente e afirmou que o objetivo é aprofundar as conversas nos próximos meses. “Seja hoje ou daqui a alguns meses, vamos chegar a um bom entendimento com os Estados Unidos”, disseSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/alckmin-defende-ajuste-apos-divida-subir-a-82-5-do-pib
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