CNI: Brasil levaria até 30 anos para compensar fim da 6x1
Estudo da confederação leva em conta média de crescimento da produtividade anual da indústria para alertar sobre impactos da redução da jornada
SBT News
Indústria | Divulgação/José Paulo Lacerda/CNI
Se o Congresso aprovar a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, a indústria brasileira levaria de 17 a 30 anos para recuperar sua produtividade. O cálculo é de um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (31).
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A redução da jornada está prevista na proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, aprovada na Câmara e atualmente em discussão no Senado, que pode votar a medida já nesta quarta-feira (2). A pauta é defendida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a CNI, a mudança do regime de trabalho faria o total de horas trabalhadas cair cerca de 7,8%. Isso exigiria um aumento de 8,3% a 8,5% na produtividade para retomar os níveis atuais.
Em setores específicos, esse ajuste precisaria ser ainda maior: de 13,6% na agropecuária e de 10,6% no comércio, por exemplo.
O problema está no patamar atual de crescimento. De 1981 a 2024, a produção por hora trabalhada cresceu 0,5% por ano, em média. Nesse ritmo, o Brasil precisaria de 17 anos para compensar a nova jornada. Nos últimos seis anos, porém, a média foi de 0,28%, o que elevaria para 30 anos a compensação.
Outro entrave destacado pela confederação está no atraso do país no ranking de produtividade global. A indústria brasileira é hoje a 100ª do mundo em capacidade de produção por trabalhador e a 91ª por hora trabalhada.
A CNI levou em consideração outros dois cenários de resposta do setor em relação à eventual aprovação do fim da escala 6x1. Além do quadro referência, em que as empresas ajustam a jornada dos trabalhadores e absorvem a queda das horas trabalhadas, há também os contextos de rejeição e de acomodação.
No primeiro, as companhias desligam os funcionários que trabalham acima da jornada de 40 horas. O resultado seria uma queda de 41 milhões para 18,9 milhões de empregos formais.
Já o segundo cenário prevê a substituição desses trabalhadores por outros com jornada e salário proporcionalmente menores. Isso faria a massa salarial cair de 2,9% a 6%, ou de R$ 4,3 bilhões a R$ 7,3 bilhões por mês.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a proposta em análise no Congresso precisa levar em conta a produtividade para sustentar a competitividade da indústria do país.
“O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente. E esse ainda é um desafio importante para o Brasil”, afirma Alban.
“Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem”, completa o presidente da entidade.
CNI: Brasil levaria até 30 anos para compensar fim da 6x1Estudo da confederação leva em conta média de crescimento da produtividade anual da indústria para alertar sobre impactos da redução da jornadaEconomia2026-08-31T11:59:31.856ZSe o Congresso aprovar a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, a indústria brasileira levaria de 17 a 30 anos para recuperar sua produtividade. O cálculo é de um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (31). A redução da jornada está prevista na proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, aprovada na Câmara e atualmente em discussão no . A pauta é defendida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a CNI, a mudança do regime de trabalho faria o total de horas trabalhadas cair cerca de 7,8%. Isso exigiria um aumento de 8,3% a 8,5% na produtividade para retomar os níveis atuais. Em setores específicos, esse ajuste precisaria ser ainda maior: de 13,6% na agropecuária e de 10,6% no comércio, por exemplo. O problema está no patamar atual de crescimento. De 1981 a 2024, a produção por hora trabalhada cresceu 0,5% por ano, em média. Nesse ritmo, o Brasil precisaria de 17 anos para compensar a nova jornada. Nos últimos seis anos, porém, a média foi de 0,28%, o que elevaria para 30 anos a compensação. Outro entrave destacado pela confederação está no atraso do país no ranking de produtividade global. A indústria brasileira é hoje a 100ª do mundo em capacidade de produção por trabalhador e a 91ª por hora trabalhada. A CNI levou em consideração outros dois cenários de resposta do setor em relação à eventual aprovação do fim da escala 6x1. Além do quadro referência, em que as empresas ajustam a jornada dos trabalhadores e absorvem a queda das horas trabalhadas, há também os contextos de rejeição e de acomodação. No primeiro, as companhias desligam os funcionários que trabalham acima da jornada de 40 horas. O resultado seria uma queda de 41 milhões para 18,9 milhões de empregos formais. Já o segundo cenário prevê a substituição desses trabalhadores por outros com jornada e salário proporcionalmente menores. Isso faria a massa salarial cair de 2,9% a 6%, ou de R$ 4,3 bilhões a R$ 7,3 bilhões por mês. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a proposta em análise no Congresso precisa levar em conta a produtividade para sustentar a competitividade da indústria do país. “O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente. E esse ainda é um desafio importante para o Brasil”, afirma Alban. “Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem”, completa o presidente da entidade.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/cni-brasil-levaria-ate-30-anos-para-compensar-fim-da-6x1
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