Economia

Inadimplência no crédito vai a 4,7% em maio, diz BC

Taxa é a maior da série iniciada em 2011; juros médios de novos empréstimos caem levemente, para 33,4% ao ano

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Caio Barcellos
01/07/2026, 13:15 • Atualizado em 01/07/2026, 13:15
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Cartão de crédito | Foto: Divulgação

Cartão de crédito | Foto: Divulgação

A inadimplência nas operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu para 4,7% em maio, informou o Banco Central nesta quarta-feira (1º). O indicador mede a parcela dos empréstimos com atraso superior a 90 dias.

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O patamar é o maior da série histórica das tabelas do BC, iniciada em março de 2011. Houve alta de 0,1 ponto percentual em relação a abril e de 1 ponto percentual em 12 meses.

O avanço foi registrado tanto nas operações com pessoas físicas quanto com empresas. No crédito às famílias, a inadimplência chegou a 5,6%, com alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,2 ponto em 12 meses. Entre as empresas, a taxa ficou em 3,2%, também com alta de 0,1 ponto no mês e de 0,5 ponto em 12 meses.

O aumento da inadimplência ocorreu mesmo com uma leve queda nos juros médios cobrados em novas operações. A taxa média das concessões de crédito caiu 0,1 ponto percentual em maio, para 33,4% ao ano. Em 12 meses, porém, ainda acumula alta de 1,7 ponto percentual.

O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes, ficou em 22,1 pontos percentuais. Houve queda de 0,1 ponto no mês e alta de 1,6 ponto em 12 meses.

O estoque total de crédito do SFN somou R$ 7,3 trilhões em maio. O valor representa crescimento de 0,6% no mês e de 9,5% em 12 meses. O saldo equivale a 55,7% do PIB.

Do total, R$ 2,7 trilhões estavam emprestados a empresas, alta de 0,7% no mês. Outros R$ 4,6 trilhões estavam nas mãos das famílias, com avanço de 0,5%.

Crédito livre e direcionado

O crédito livre, em que bancos e clientes negociam as condições das operações, somou R$ 4,1 trilhões em maio. A carteira cresceu 0,3% no mês e 6,9% em 12 meses.

Nessa categoria entram linhas como cartão de crédito, cheque especial, capital de giro e crédito pessoal. É também onde os juros costumam ser mais altos. A taxa média do crédito livre ficou em 49,5% ao ano.

Para pessoas físicas, os juros do crédito livre chegaram a 62,8% ao ano. Para empresas, ficaram em 25,2% ao ano.

A inadimplência no crédito livre foi de 6,2%. Entre as famílias, chegou a 7,6%. Nas empresas, ficou em 4,1%.

Já o crédito direcionado, que segue regras específicas e normalmente tem alguma regulação pública, somou R$ 3,2 trilhões. A carteira cresceu 0,9% no mês e 13,1% em 12 meses. Entram nesse grupo financiamentos imobiliários, crédito rural e algumas linhas com taxas reguladas.

Novos empréstimos

As concessões, que representam novos empréstimos feitos no mês, somaram R$ 694,2 bilhões em maio. Na série com ajuste sazonal, usada para tirar efeitos típicos de cada mês, houve alta de 0,7%.

O resultado veio de movimentos diferentes entre empresas e famílias. As novas operações com empresas caíram 1% na comparação com abril, enquanto as operações com pessoas físicas subiram 0,4%.

Famílias

O endividamento das famílias ficou em 49,8% em abril, dado mais recente disponível para esse indicador. Isso significa que o volume de dívidas das famílias equivalia a quase metade da renda acumulada em 12 meses.

O comprometimento de renda ficou em 28,2%. Em termos simples, a cada R$ 100 de renda, as famílias usavam em média R$ 28,20 para pagar dívidas. O indicador ficou estável no mês e subiu 1,1 ponto percentual em 12 meses.

Crédito ampliado

O BC também informou que o crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 21,5 trilhões em maio, o equivalente a 164,2% do PIB. A medida é mais ampla que o crédito bancário tradicional porque inclui empréstimos, títulos públicos, títulos privados e dívida externa.

O crescimento foi de 1,6% no mês e de 12,2% em 12 meses. Segundo o BC, o resultado mensal foi puxado principalmente pelo aumento dos títulos públicos e dos empréstimos externos.

Desenrola Adimplentes

Os dados do BC foram divulgados na mesma semana em que o governo lançou o Desenrola Adimplentes, programa voltado a trabalhadores informais e autônomos que ainda pagam as parcelas em dia ou têm atraso de até 90 dias, mas estão presos a dívidas com juros elevados.

Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no entanto, avalia que a adesão dos bancos ao programa tende a ser mais limitada do que em outras frentes de renegociação apoiadas pelo setor financeiro.

Em nota, a entidade afirmou que a participação será uma decisão de cada banco, considerando as condições da nova linha, as políticas internas de crédito, as estratégias de negócio e os critérios próprios de avaliação de risco.

A avaliação de economistas e analistas financeiros consultados pelo SBT News é de que o interesse dos bancos pode ser menor, já que o programa é visto como menos necessário para quem ainda paga as parcelas em dia ou têm atrasos de menos de três meses.

A nova linha permite trocar débitos mais caros, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, por uma operação com taxa máxima de 1,99% ao mês. Pelas regras apresentadas pela Fazenda, poderão ser renegociadas dívidas de até R$ 15 mil. O consumidor deverá ter pago ao menos 4 parcelas da operação original.

O governo estima destinar cerca de R$ 3 bilhões do Tesouro Nacional para viabilizar a linha. As operações terão garantia do FGO (Fundo Garantidor de Operações), com cobertura de 50% nas primeiras perdas da carteira e 100% de garantia por operação.

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