Governo tenta consenso com EUA sobre tarifas, diz ministro
Titular do Ministério da Indústria teve nesta quinta a quarta reunião com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos
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Felipe Moraes, Ighor Nóbrega
02/07/2026, 17:07 • Atualizado em 02/07/2026, 17:15
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Ministro do Desenvolvimento, Industria e Comércio, Márcio Elias Rosa | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil segue tentando construir consenso com os Estados Unidos para reverter a tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais. "O tempo corre contra, porque o prazo é 15 de julho", disse, citando a data-limite para decisão final do governo de Donald Trump em relação às taxas.
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Elias teve hoje a quarta reunião de nível político com o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, órgão responsável pela investigação que citou supostas práticas comerciais desleais e sugeriu nova taxação a exportações brasileiras. O ministro informou que os dois países já realizaram "sete ou oito" encontros de nível técnico e que há uma nova rodada de negociações prevista para a semana que vem.
"Teremos outra reunião de nível técnico para, em seguida, outra reunião de alto nível [político]. Estamos tentando construir consenso", falou Elias. "São muitas as questões postas, algumas que infelizmente não deveriam estar na mesa. Isso dificulta, polui o diálogo. Toda vez que caminhamos positivamente, parece que surge algum empecilho, algum atropelo e precisamos superar", acrescentou.
O governo do presidente Lula (PT) enviou nesta quinta aos EUA um documento oficial respondendo à investigação norte-americana que utilizou a Seção 301 da Lei de Comércio para propor tarifas.
Em carta assinada pelo chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores (Itamaraty), o Brasil contestou alegações de que políticas nacionais sobre comércio digital e meios eletrônicos, o sistema de pagamentos Pix e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) criam barreiras ao comércio dos Estados Unidos.
Falando a jornalistas após a conversa com Greer, Elias Rosa também fez críticas a membros do clã Bolsonaro, sem citar diretamente o ex-deputado Eduardo e o senador Flávio (PL-RJ), afirmando que "essas pessoas sempre dificultam muito o trabalho" no diálogo com o governo Trump, próximo ideologicamente da ex-família presidencial.
"Não porque são capazes de causar algum alvoroço. Mas porque elas poluem o debate político ou colocam no debate que é econômico, comercial um componente político que não deveria estar. Não cabem, na mesa de negociação, da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas. A gente também tem que enfrentar essa questão", admitiu.
O titular da pasta da Indústria disse que as negociações têm avançado "um pouco em cada uma dessas reuniões", mas reconheceu que "o tempo conspira contra" os interesses brasileiros. "Temos que chegar até 15 de julho com um acordo", repetiu, declarando que o encontro desta quinta com Greer serviu para "modos de aperfeiçoamento de aproximação".
Elias citou como temas da reunião políticas nacionais para combate a crimes transnacionais, a exemplo da lavagem de dinheiro, comércio digital, data centers, questões de imigração e relacionadas à propriedade intelectual. Sobre esse último tópico, lembrou que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) já incorpora normas internacionais, mas reforçou que é preciso explicar aos EUA como o Brasil atua nesse campo.
"Ao mesmo tempo, [é preciso] nos colocarmos à disposição pra aperfeiçoar. Há projeto de lei em andamento no Congresso. O Brasil apoia o aperfeiçoamento da legislação da propriedade intelectual", detalhou. O ministro observou que os debates em torno desses assuntos "exigem tempo e o prazo é exíguo" e que o governo trabalha "com firmeza" nas conversas com os EUA.
"Nós temos que continuar nessa linha que o presidente Lula orienta. 'Nunca saiam da mesa de negociação, nunca abandonem.' Quem defende o multilateralismo, e o Brasil defende, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas. Se o Brasil sair da mesa de negociação técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo, a imposição unilateral de barreiras, tarifas", completou.
Ainda sobre o tema, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que é "descabida" a justificativa dos EUA de citarem a prática do desmatamento como motivação para o novo tarifaço.
Segundo o ministro, o governo Lula já detalhou aos americanos as medidas tomadas para proteger a cadeia produtiva. Ele negou ainda que haja a exportação de madeira extraída ilegalmente e afirmou que o país adota medidas de segurança a partir do Ibama para garantir a segurança desse processo.
"Elaboramos um demonstrativo de que o processo de controle de desmatamento está totalmente sob controle, estamos reduzindo o desmatamento. Isso foi apresentado de forma clara e estruturante. Porque não é que estamos tendo uma queda esporádica. Estamos tendo uma queda seguida, constante e permanente", declarou Capobianco à imprensa.
"Nesta manhã (2 de julho), acompanhado de equipes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial do Presidente da República, além da equipe do MDIC, mantive minha quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico.
Esse esforço atende à determinação emanada do encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, de encontrar solução negociada para o comércio bilateral.
Na reunião de hoje, seguimos debatendo as Relações Econômico-Comerciais entre Brasil e Estados Unidos, contemplando analise concretas para os seis temas suscitados no contexto das investigações em curso no âmbito da Seção 301: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Ambos reconhecemos que o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições. Nesse sentido, determinamos que nossas equipes técnicas se reúnam no início da próxima semana, em preparação para nova reunião de alto nível antes de 15 de julho."
Governo tenta consenso com EUA sobre tarifas, diz ministroTitular do Ministério da Indústria teve nesta quinta a quarta reunião com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados UnidosEconomia2026-07-02T17:07:08.717ZO ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil segue tentando construir consenso com os Estados Unidos para reverter a tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais. "O tempo corre contra, porque o prazo é 15 de julho", disse, citando a data-limite para decisão final do governo de Donald Trump em relação às taxas. Elias teve hoje a quarta reunião de nível político com o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, órgão responsável pela investigação que citou supostas práticas comerciais desleais e sugeriu nova taxação a exportações brasileiras. O ministro informou que os dois países já realizaram "sete ou oito" encontros de nível técnico e que há uma nova rodada de negociações prevista para a semana que vem. "Teremos outra reunião de nível técnico para, em seguida, outra reunião de alto nível [político]. Estamos tentando construir consenso", falou Elias. "São muitas as questões postas, algumas que infelizmente não deveriam estar na mesa. Isso dificulta, polui o diálogo. Toda vez que caminhamos positivamente, parece que surge algum empecilho, algum atropelo e precisamos superar", acrescentou. O governo do presidente Lula (PT) enviou nesta quinta aos EUA um documento oficial respondendo à investigação norte-americana que utilizou a Seção 301 da Lei de Comércio para propor tarifas. Em carta assinada pelo chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores (Itamaraty), o Brasil contestou alegações de que políticas nacionais sobre comércio digital e meios eletrônicos, o sistema de pagamentos Pix e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) criam barreiras ao comércio dos Estados Unidos. Falando a jornalistas após a conversa com Greer, Elias Rosa também fez críticas a membros do clã Bolsonaro, sem citar diretamente o ex-deputado Eduardo e o senador Flávio (PL-RJ), afirmando que "essas pessoas sempre dificultam muito o trabalho" no diálogo com o governo Trump, próximo ideologicamente da ex-família presidencial. "Não porque são capazes de causar algum alvoroço. Mas porque elas poluem o debate político ou colocam no debate que é econômico, comercial um componente político que não deveria estar. Não cabem, na mesa de negociação, da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas. A gente também tem que enfrentar essa questão", admitiu. O titular da pasta da Indústria disse que as negociações têm avançado "um pouco em cada uma dessas reuniões", mas reconheceu que "o tempo conspira contra" os interesses brasileiros. "Temos que chegar até 15 de julho com um acordo", repetiu, declarando que o encontro desta quinta com Greer serviu para "modos de aperfeiçoamento de aproximação". Elias citou como temas da reunião políticas nacionais para combate a crimes transnacionais, a exemplo da lavagem de dinheiro, comércio digital, data centers, questões de imigração e relacionadas à propriedade intelectual. Sobre esse último tópico, lembrou que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) já incorpora normas internacionais, mas reforçou que é preciso explicar aos EUA como o Brasil atua nesse campo. "Ao mesmo tempo, [é preciso] nos colocarmos à disposição pra aperfeiçoar. Há projeto de lei em andamento no Congresso. O Brasil apoia o aperfeiçoamento da legislação da propriedade intelectual", detalhou. O ministro observou que os debates em torno desses assuntos "exigem tempo e o prazo é exíguo" e que o governo trabalha "com firmeza" nas conversas com os EUA. "Nós temos que continuar nessa linha que o presidente Lula orienta. 'Nunca saiam da mesa de negociação, nunca abandonem.' Quem defende o multilateralismo, e o Brasil defende, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas. Se o Brasil sair da mesa de negociação técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo, a imposição unilateral de barreiras, tarifas", completou. Ainda sobre o tema, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que é "descabida" a justificativa dos EUA de citarem a prática do desmatamento como motivação para o novo tarifaço. Segundo o ministro, o governo Lula já detalhou aos americanos as medidas tomadas para proteger a cadeia produtiva. Ele negou ainda que haja a exportação de madeira extraída ilegalmente e afirmou que o país adota medidas de segurança a partir do Ibama para garantir a segurança desse processo. "Elaboramos um demonstrativo de que o processo de controle de desmatamento está totalmente sob controle, estamos reduzindo o desmatamento. Isso foi apresentado de forma clara e estruturante. Porque não é que estamos tendo uma queda esporádica. Estamos tendo uma queda seguida, constante e permanente", declarou Capobianco à imprensa. Leia nota do Ministério da Indústria: "Nesta manhã (2 de julho), acompanhado de equipes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial do Presidente da República, além da equipe do MDIC, mantive minha quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico. Esse esforço atende à determinação emanada do encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, de encontrar solução negociada para o comércio bilateral. Na reunião de hoje, seguimos debatendo as Relações Econômico-Comerciais entre Brasil e Estados Unidos, contemplando analise concretas para os seis temas suscitados no contexto das investigações em curso no âmbito da Seção 301: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Ambos reconhecemos que o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições. Nesse sentido, determinamos que nossas equipes técnicas se reúnam no início da próxima semana, em preparação para nova reunião de alto nível antes de 15 de julho."São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/governo-tenta-consenso-com-eua-sobre-tarifas-diz-ministro
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