Fim da 6x1: CNI diz que PEC é "inadequada e inoportuna"
Confederação Nacional da Indústria afirma que "mudanças dessa magnitude exigem debate amplo, técnico e responsável" e pede responsabilidade do Senado


Indústria | Divulgação/José Paulo Lacerda/CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como "inadequada e inoportuna" a proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada nessa quarta-feira (27) na Câmara que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho. A entidade opinou que esse debate "requer mais tempo e responsabilidade" e voltou a pedir adiamento da tramitação no Congresso para depois das eleições de outubro.
"A CNI defende que o tema seja analisado com equilíbrio, responsabilidade e base técnica, considerando os efeitos sobre trabalhadores, empresas, consumidores e a economia brasileira, e não sob pressão de um ano eleitoral", disse em comunicado divulgado nesta quinta (28).
A CNI e entidades do setor privado, como Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), se reuniram nesta semana com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), antes mesmo da aprovação na Câmara, solicitando que a análise e votação da proposta por senadores, ainda sem data prevista, não ocorra antes do pleito.
Na nota emitida nesta quinta, a CNI argumentou que "mudanças dessa magnitude exigem debate amplo, técnico e responsável, com participação de trabalhadores, empregadores e poder público". "Isso porque alterações dessa natureza podem gerar impactos relevantes sobre emprego, custos e a economia de maneira geral."
A confederação criticou a redução da jornada de trabalho "por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade". "Tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços", avaliou, projetando impactos de 6% a 9% em diversos segmentos da economia, como alimentos, serviços e vestuário.
A CNI reforçou que vê a negociação coletiva como "o caminho mais eficaz para que empresas e trabalhadores construam soluções equilibradas para cada atividade econômica".
"Mudanças legais uniformes, sem considerar essa diversidade, podem restringir o espaço da negociação, comprometer a segurança jurídica e reduzir a previsibilidade necessária para investimentos, criação de empregos e a sustentabilidade dos negócios — especialmente das micro e pequenas empresas", comentou.
A entidade também afirmou que essa discussão deve ser "acompanhada de uma agenda de aumento de produtividade, com investimentos em tecnologia, qualificação profissional, inovação e modernização das relações de trabalho".
A CNI ainda enfatizou que "trabalhadores e setor produtivo não estão em lados opostos" e disse confiar "que o tema seja analisado com o devido cuidado e responsabilidade pelo Senado Federal".















