Temperatura global pode bater recordes até 2030
Relatório climático aponta tendência de calor persistente nos próximos cinco anos



Calor | Foto: Flavio Tavares
As temperaturas médias globais devem continuar em níveis próximos dos recordes históricos nos próximos cinco anos, enquanto o Ártico deve aquecer em ritmo mais acelerado do que o restante do planeta. A previsão faz parte de um relatório divulgado nesta quinta-feira (28) pela agência meteorológica da ONU e pelo Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido.
O levantamento prevê que a temperatura média global anual fique entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis registrados no período pré-industrial, entre 1850 e 1900.
“Há evidências muito claras de que o clima está aquecendo e que a temperatura média global continua a subir”, afirmou Melissa Seabrook, cientista pesquisadora do Met Office, à Reuters.
No Acordo de Paris, assinado em 2015, os países se comprometeram a tentar limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Segundo cientistas, ultrapassar esse limite aumenta a intensidade e a frequência de eventos climáticos extremos.
O relatório aponta que há alta probabilidade de que a temperatura média global ultrapasse temporariamente a marca de 1,5°C em pelo menos um ano entre 2026 e 2030.
A projeção também indica que um dos próximos cinco anos pode superar 2024, atualmente considerado o ano mais quente já registrado e o primeiro a ultrapassar temporariamente a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Segundo Seabrook, o fato de a temperatura ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C não significa que o Acordo de Paris tenha fracassado, já que a meta considera uma média de longo prazo, e não um único ano isolado.
“A ciência é muito clara ao afirmar que a janela para manter a temperatura média global em 1,5 grau está se fechando rapidamente”, disse a pesquisadora.
Eventos climáticos mais severos
O relatório também prevê que as temperaturas de inverno no Ártico aumentem mais de 3,5 vezes acima da média global nos próximos anos. A expectativa é de redução do gelo marinho em áreas como os mares de Barents, Bering e Okhotsk ao longo da segunda metade da década.
Segundo os pesquisadores, o aquecimento acelerado do Ártico pode alterar padrões climáticos e favorecer eventos extremos, principalmente em regiões do hemisfério norte.
O relatório também prevê períodos mais úmidos no norte da Europa, no Alasca, na Sibéria e na região do Sahel entre maio e setembro. Já a Amazônia pode enfrentar períodos mais secos nesse mesmo intervalo.
Os pesquisadores também preveem um forte El Niño neste ano, com efeitos que podem se estender até 2027 e contribuir para novas altas nas temperaturas globais. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que influencia o clima em diferentes partes do mundo.















