Saúde

Brasil ativa plano contra Ebola; médico explica protocolo

Plano de contingência inclue triagem de viajantes e vigilância em pontos de entrada no país; especialista afirma que não há motivo para preocupação excessiva

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Naiara Ribeiro
27/05/2026, 12:29 • Atualizado em 27/05/2026, 15:07
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O Ministério da Saúde divulgou na segunda-feira (25) que o Brasil ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais diante do alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o Ebola em países da África.

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Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a República Democrática do Congo registra mais de 900 casos suspeitos da cepa Bundibugyo do vírus e 220 mortes sob investigação. Em Uganda, foram confirmados cinco casos e uma morte.

Em entrevista ao SBT News, o pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, disse que não há motivo para preocupação excessiva e lembrou que o Brasil nunca registrou casos de Ebola. O médico também explicou como funciona o protocolo adotado pelo país. “O processo começa pela identificação ou suspeita de casos que possam ser Ebola no Brasil. Pessoas que chegam de países onde a doença está em circulação, especialmente RD do Congo e Uganda, passam por triagem e monitoramento. Esses indivíduos precisam ter registro de saúde e avaliação de sintomas, como febre, o que ajuda na identificação de possíveis casos suspeitos”, explicou.

Segundo o médico, o plano também prevê testes para confirmação da doença, comunicação às autoridades sanitárias e definição de medidas de isolamento, caso seja necessário. O alerta é repassado aos estados e aos pontos de entrada do país, como aeroportos e portos, por meio da Anvisa.

Kfouri afirma que, em casos suspeitos, o tipo de isolamento depende do estado de saúde do paciente. Se a pessoa estiver bem, pode permanecer em casa sob monitoramento. Já em situações que exigem internação, o isolamento é feito no hospital. Essas decisões são feitas pelas autoridades de saúde. Ele orienta que pessoas que passaram por áreas afetadas e apresentarem sintomas procurem atendimento médico e informem o histórico de viagem.

Sobre o risco de transmissão, o infectologista ressaltou que o Ebola não se espalha de forma simples. “Não é o país inteiro que tá sendo afetado pela doença. A doença não é de fácil transmissão”, afirmou.

Ele explica que o vírus está ligado principalmente ao contato com animais silvestres, especialmente morcegos, considerados reservatórios naturais da doença. A transmissão entre pessoas acontece por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais. “O Ebola não se espalha pelo ar, como uma gripe ou a Covid-19. É preciso contato próximo e prolongado”, explicou.

Mesmo assim, países seguem adotando protocolos de vigilância para evitar casos importados. Kfouri citou os Estados Unidos como exemplo e lembrou que a seleção da República Democrática do Congo precisará cumprir um período de isolamento de 21 dias antes de viajar para a Copa do Mundo no país.

O infectologista também lembrou que existem vacinas já licenciadas contra o Ebola em alguns contextos e reforçou a importância de manter a vacinação em dia antes de viagens internacionais.

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