Aquecimento no Pacífico indica possível El Niño em 2026
Dados apontam chance de 82% de formação do fenômeno no segundo semestre; impacto pode ser forte no Brasil


Registro de El Niño pela Nasa | Reprodução/Sentinel-6 Michael Freilich/Nasa
O oceano Pacífico Equatorial voltou a registrar aquecimento acima do normal e coloca 2026 como um possível ano de El Niño. A chance de o fenômeno se confirmar no segundo semestre é de cerca de 82%, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no Brasil, e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), nos Estados Unidos. Os dois órgãos acompanham continuamente o comportamento dos oceanos e do clima em escala global.
Esse monitoramento é feito com boias e sensores espalhados pelo Pacífico, que registram a temperatura da água ao longo do tempo. Quando esse aquecimento se mantém por meses, o oceano passa a interferir na circulação da atmosfera.
É nesse ponto que o El Niño se forma, com o aquecimento do Pacífico altera a circulação dos ventos e reorganiza a distribuição de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Não é um fenômeno restrito a um ponto do mapa.
Como o El Niño muda o clima no mundo
Em anos de El Niño, o impacto aparece de formas diferentes ao redor do planeta. A Califórnia, nos Estados Unidos, costuma registrar mais chuva. Já regiões como sul da África, Índia e Austrália tendem a enfrentar períodos mais secos.
No Brasil, o padrão mais comum também se repete. O Sul costuma ter mais episódios de chuva forte, enquanto Norte e Nordeste ficam mais secos. Esse comportamento tende a ficar mais evidente a partir da primavera. Em grande parte do país, o calor também ganha mais intensidade.
O que os dados mostram sobre 2026
As medições mais recentes indicam que o Pacífico já ultrapassou o nível considerado de atenção para formação do fenômeno. A região central do oceano, chamada Niño 3.4, é a principal referência desse acompanhamento.
Se esse aquecimento continuar, o El Niño pode se formar a partir de junho de 2026 e ganhar intensidade ao longo do segundo semestre.
Os modelos climáticos apontam continuidade desse aquecimento nos próximos meses. Em algumas projeções, a temperatura chega a mais de 2°C acima da média, nível associado a eventos mais intensos.
O que pode mudar no Brasil
Os efeitos mais frequentes aparecem na chuva. O Sul tende a concentrar mais episódios de chuva forte, principalmente na primavera, enquanto o Norte e o Nordeste passam por redução das chuvas, com períodos mais secos mais recorrentes.
O calor também tende a se espalhar por uma área maior do país entre a primavera e o verão, com temperaturas acima da média.
A tendência é que o El Niño influencie o clima do Brasil no segundo semestre de 2026, com o Sul registrando mais episódios de chuva intensa e outras regiões mais quentes. No Norte e no Nordeste, a redução das chuvas tende a ficar mais evidente a partir da primavera.

O que ainda não está definido
Ainda não há definição sobre a intensidade final do fenômeno. Ele pode se manter forte ou evoluir para um evento extremo, conhecido como super El Niño.
Também não é possível prever agora quais regiões vão concentrar os episódios mais intensos de chuva, seca ou calor.
Outro ponto importante é que o aquecimento global já vem aumentando a frequência de eventos extremos, e o El Niño pode intensificar esse comportamento ao longo de 2026.
O INPE e a NOAA seguem acompanhando o Pacífico e atualizam as informações conforme novos dados são incorporados.















