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Super El Niño à vista? Planeta superaquecido eleva temor de efeitos climáticos extremos

De enchentes no Sul a secas e incêndios na Amazônia e no Pantanal, mudanças climáticas agravam os impactos do fenômeno e Brasil não está preparado

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Exame.com
21/05/2026, 00:18 • Atualizado em 26/05/2026, 20:37
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Aquecimento do Pacífico Equatorial durante El Niño interfere na circulação atmosférica global e pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor | Reprodução Movimiento Ciudadano frente al Cambio Climático

Aquecimento do Pacífico Equatorial durante El Niño interfere na circulação atmosférica global e pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor | Reprodução Movimiento Ciudadano frente al Cambio Climático

Quais as chances de um super El Niño em 2026? A ciência ainda considera cedo para afirmar que o fenômeno atingirá um nível excepcionalmente intenso ou que provocará uma crise global como o episódio histórico de 1998.

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Mas uma preocupação já é unanimidade entre cientistas: desta vez, o El Niño causa um temor maior pois se desenvolve em um planeta mais quente e em oceanos já superaquecidos pelas mudanças climáticas.

E é justamente no Pacífico Equatorial que são observados alguns dos sinais mais relevantes, por meio de sistemas de monitoramento da temperatura da superfície do mar por meio de boias, satélites e sensores.

Nos últimos dias, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status de alerta, ao apontar que há 82% de chance do El Niño surgir entre maio e julho de 2026, além de 96% de probabilidade de ele persistir até o inverno do hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Também neste mês de maio, a Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos EUA (NOAA), identificaram áreas do oceano com temperaturas até 6 °C acima da média histórica em maio.

Segundo o cientista climático Paulo Artaxo, o aquecimento observado no Pacífico ajuda a explicar a apreensão crescente.

“Para uma área que é quase quatro vezes o Brasil termos tanta água com temperatura acima da média é uma quantidade brutal de energia sendo dissipada na circulação planetária global”, destacou, em entrevista à EXAME.

O El Niño ocorre quando as águas da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial ficam anormalmente mais quentes. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica padrões de chuva, temperatura e ventos em diferentes regiões do mundo.

Os impactos variam. Em geral, o fenômeno aumenta o risco de secas em partes da Ásia, Austrália e Amazônia, enquanto pode intensificar chuvas em áreas da América do Sul.

No Brasil, os efeitos normalmente aparecem de forma desigual: enquanto o Sul tende a enfrentar chuvas mais intensas e risco maior de enchentes, partes da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste podem registrar seca, calor extremo e condições mais favoráveis a incêndios florestais.

Seus efeitos impactam a produção agrícola, preços de alimentos e mercados de energia, o que coloca o fenômeno no centro do debate sobre risco climático e adaptação.

Para Artaxo, a principal questão é que o El Niño hoje atua sobre um sistema climático já alterado pelo aquecimento global. “O fenômeno faz o clima sair da sua normalidade e ele está sendo agravado pela crise climática”, afirma.

No Brasil, cientistas acompanham especialmente o potencial impacto sobre extremos climáticos. O último El Niño forte coincidiu com a seca histórica da Amazônia, enchentes no Rio Grande do Sul e incêndios severos no Pantanal.

Embora ainda seja cedo para prever se 2026 repetirá eventos dessa magnitude, o país continua bastante vulnerável aos impactos climáticos.

“O Brasil não está preparado. Há muito a ser feito para proteger a população”, lembrou o cientista, reforçando a urgência da adaptação climática.

Segundo ele, os efeitos podem atingir desde infraestrutura urbana até agricultura, segurança hídrica, energia e saúde pública. “Os potenciais impactos econômicos e sociais são gigantes”, conclui.

Recentemente, o Cemaden também alertou para um "desastre térmico" e a possibilidade de ondas de calor recordes no país em razão do El Niño.

Por que ainda não é possível cravar um “super El Niño”

Cientistas mundo afora fazem algumas ressalvas na hora de cravar um "super El Niño". Projeções feitas entre março e maio historicamente apresentam maior margem de erro, em um fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade da primavera”.

Além disso, os modelos ainda divergem sobre a intensidade final do aquecimento no Pacífico Equatorial.

Meteorologistas acompanham especialmente a chamada região Niño 3.4, principal faixa usada internacionalmente para medir a intensidade do El Niño. Na última atualização semanal, a área registrou temperatura 0,4 °C acima da média histórica, ainda abaixo do patamar normalmente utilizado para oficializar o fenômeno.

Mesmo assim, parte dos modelos climáticos passou a indicar um cenário de aquecimento mais intenso nos próximos meses.

Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, mais da metade das projeções aponta temperaturas acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério nortee algumas simulações mais extremas sugerem aquecimento superior a 3 °C.

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