Ex e atual governadora do Distrito Federal trocam farpas nas redes
Ibaneis Rocha disse que Celina Leão está rompendo continuidade e se descolando da antiga gestão; “sucessão nunca será subsmissão”, respondeu a governadora


Victor Schneider
Com o avanço das negociações por uma delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, a ruptura entre a atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (20) em troca de farpas pública nas redes sociais.
Durante a tarde, o ex-governador publicou no Instagram um vídeo ao lado do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e do deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF), cotado para disputar o governo. Diante dos indícios de descolamento de Celina, Ibaneis diz estar conversando com a base do partido para assegurar que o governo eleito em outubro siga a linha de seus 8 anos de gestão em Brasília.
“Nós apostamos na governadora Celina como um governo de continuidade daquilo que nós plantamos e de onde nós tiramos o desastre que existia no Distrito Federal. Infelizmente, ao longo desses últimos dias, nós temos tido muitas decepções. Isso não quer dizer rompimento, mas quer dizer um realinhamento de posições", afirmou Ibaneis.
Celina respondeu na noite desta quarta, também pelo Instagram. Ela afirma ter sido leal a Ibaneis enquanto vice-governadora, mas que, agora no comando do Palácio do Buriti, lida com um cenário delicado na situação fiscal do DF deixado pelo emedebista.
“As pessoas precisam entender que sucessão nunca será submissão [...] É público, todos sabem, que eu herdei uma grave crise no BRB. Herdei também um rombo bilionário nas contas públicas", afirmou a governadora.
O Banco de Brasília está no centro da crise do Master por ter se envolvido na compra de carteiras podres vendidas pelo banco de Vorcaro. Como é gerido pelo governo de Brasília, o rombo bilionário refletiu nos cofres públicos, com Celina decretando uma revisão de contratos para cortar até 25% dos gastos públicos do governo. O déficit pode chegar a R$ 4 bilhões e já afeta a execução de obras em todo o Distrito Federal.
Paulo Henrique Costa, que comandou o BRB durante a tentativa de aquisição do Master, negocia os termos de uma delação. Ele foi preso em 16 de abril sob a suspeita de receber propina para beneficiar o Master. No início de maio, Costa foi transferido para um cela na Papudinha para ter mais privacidade no contato com advogados e conseguir avançar na colaboração. Na terça (19), porém, o advogado Eugênio Aragão deixou a defesa alegando que "somente participa de iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade".
“Lealdade, para mim, é não trair os seus princípios, não fugir da verdade e nunca abandonar a população quando ela mais precisa. Precisa de coragem [...] Tem muitas pessoas que estão preocupadas com a campanha. Eu estou preocupada em resolver os problemas do Distrito Federal”, afirmou Celina.








