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Enade das Licenciaturas expõe fragilidade na formação de futuros professores, avalia 'Todos Pela Educação'

Análise aponta desempenho abaixo do básico para 42% dos estudantes e amplia debate sobre cursos EaD e mudanças nas diretrizes da formação docente

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Professor em sala de aula | Agência Brasil

Os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) das Licenciaturas e da Prova Nacional Docente (PND), divulgados nesta quarta-feira (20) pelo Inep, acenderam um alerta sobre a formação inicial de professores no Brasil. Segundo análise da Todos Pela Educação, 42% dos estudantes de licenciatura tiveram desempenho considerado abaixo do nível básico.

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O cenário é mais crítico nos cursos de Educação a Distância (EaD): 53% dos alunos ficaram abaixo do básico, contra 26% na modalidade presencial. Apenas 20% dos concluintes atingiram o nível considerado adequado. Entre os estudantes do EaD, o índice cai para 12%, enquanto nos cursos presenciais chega a 32%.

Formação docente e EaD em debate

Para a entidade, os dados reforçam a necessidade de revisão das políticas de formação inicial docente e fortalecem o debate sobre as mudanças nas Diretrizes Curriculares Nacionais em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE).

A análise destaca que a diferença de desempenho entre estudantes do EaD e do presencial “corrobora evidências” de que a formação docente exige maior presencialidade e interação entre professores e alunos.

"A indicação de que existe uma clara diferença de desempenho entre estudantes formados exclusivamente pela modalidade EaD corrobora o conjunto de evidências da literatura de que a formação inicial pressupõe presencialidade e interação entre os professores. Garantir que os currículos dos cursos de licenciatura foquem na prática, fortaleçam experiências de construção de repertório sobre a aprendizagem, criem laços de colegialidade e profissionalismo entre os estudantes é fundamental para assegurar a qualidade da Educação Básica", avalia a Todos Pela Educação.

Políticas educacionais

A Todos Pela Educação defende o fortalecimento da regulação dos cursos, especialmente na modalidade EaD, além do uso dos resultados para orientar políticas públicas e intervenções em cursos com baixo desempenho.

Apesar da modalidade à distância 100% estar proibida (Decreto 12.456/25), a organização defende que seja criada, de forma "urgente" uma forma de assegurar maior presencialidade no formato semipresencial, "diante do fato de que um volume elevado de estudantes oriundos da formação à distância não atinge sequer o nível básico de desempenho", definido pelo Inep.

Nesse sentido, a organização defende que é fundamental "fortalecer os critérios relacionados à presença, à qualidade dos estágios supervisionados, à infraestrutura acadêmica e à qualificação do corpo docente" das instituições formadoras.

"Um olhar cuidadoso para a formação de um modo geral é muito necessário, tendo em vista que mesmo nos cursos presenciais há uma parcela elevada de estudantes que não performaram de maneira minimamente suficiente no exame. Fortalecer a prática na formação e garantir que o currículo ofereça múltiplas oportunidades para os licenciandos desenvolverem conhecimentos especializados sobre o ensino é condição essencial para garantirmos a qualidade da educação brasileira", reforça a entidade.
"Não existe educação de qualidade sem professores bem formados, e cuidar da qualidade da formação inicial é o primeiro passo para garantir que toda criança tenha, em sua sala de aula, um professor bem preparado para ensinar", conclui a Todos pela Educação.

O Enade das Licenciaturas passou por mudanças recentes, com aplicação anual e ampliação do número de questões ligadas aos conhecimentos pedagógicos e à prática docente. Em 2025, o Inep também adotou um nível mínimo de desempenho para medir a aprendizagem básica dos estudantes.

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