Filhotes de arara-azul-de-lear, espécie ameaçada de extinção, nascem em SP; veja imagens
Zoológico da capital paulista foi o primeiro da América Latina a reproduzir a espécie, endêmica da caatinga baiana, com sucesso

Emanuelle Menezes
O Zoológico de São Paulo anunciou o nascimento de dois filhotes de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), uma das aves mais ameaçadas de extinção do Brasil. Os ovos eclodiram no fim de abril, e os filhotes passaram pelas primeiras semanas de vida sob cuidados intensivos da equipe veterinária e de manejo da instituição.
A novidade foi divulgada nesta quinta-feira (22), data em que é celebrado o Dia Internacional da Biodiversidade. Com os novos nascimentos, o Zoo de São Paulo chega à marca de 23 filhotes da espécie nascidos em 11 anos – resultado considerado expressivo para uma ave de reprodução complexa e altamente sensível às mudanças ambientais.

O zoológico paulista foi o primeiro da América Latina a reproduzir a arara-azul-de-lear com sucesso e hoje ocupa posição estratégica em programas internacionais de conservação genética da espécie.
Espécie quase desapareceu da natureza
Endêmica da caatinga baiana, a arara-azul-de-lear esteve perto da extinção nos anos 1990. O tráfico de animais silvestres, a destruição do habitat natural e a baixa distribuição geográfica fizeram a população despencar.
Hoje, apesar da recuperação gradual observada por pesquisadores, especialistas alertam que a sobrevivência da espécie ainda depende de programas integrados de conservação, envolvendo reprodução assistida, manejo genético e proteção ambiental.
Os papais, Maria Clara e Francisco, são responsáveis por todos os nascimentos da espécie registrados no Zoo de São Paulo. Vítimas do tráfico de animais, eles chegaram ao local em 2004 e 2006, respectivamente.

Parte das aves nascidas na instituição já foi incorporada ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das principais áreas de ocorrência natural da espécie.
"Cada nascimento é estratégico", diz bióloga
Segundo Fernanda Guida, bióloga responsável pelo setor de aves do Zoológico de São Paulo, cada novo filhote representa um avanço importante para a preservação da arara-azul-de-lear.
"A reprodução da arara-azul-de-lear exige condições bastante específicas. Cada filhote amplia a variabilidade genética da população sob cuidados humanos e fortalece as possibilidades de conservação futura", afirma.
Os filhotes seguem sob alimentação assistida e monitoramento veterinário constante. O sexo das aves ainda não foi identificado e será determinado futuramente por exame genético realizado a partir das penas.
População cresce, mas espécie ainda corre risco
Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) mostram crescimento gradual da população da arara-azul-de-lear na natureza: eram 2.273 indivíduos em 2022 e 2.548 em 2024.
Apesar do avanço, pesquisadores alertam que a espécie continua vulnerável. A distribuição geográfica restrita, concentrada em áreas da caatinga baiana como o Raso da Catarina e o Boqueirão da Onça, aumenta o impacto de ameaças ambientais e das mudanças climáticas.
A arara-azul-de-lear é classificada como "Em Perigo" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e como "Vulnerável" pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Como visitar o Zoo de São Paulo
O Zoológico de São Paulo funciona todos os dias na Avenida Miguel Estefano, 4241, no bairro da Água Funda. Para informações sobre horários e ingressos acesse o site oficial.









