Polícia indicia ex-assessor de Pablo Marçal por lesão corporal grave; investigação sobre fraude processual avança
Nahuel Gomes Medina desferiu um soco no rosto de Eduardo Rodrigues de Lima, então assessor do candidato Ricardo Nunes (MDB)


Marcos Guedes
O empresário Nahuel Gomes Medina, ex-assessor e sócio de Pablo Marçal (à época no PRTB e atualmente no União), foi indiciado pelo crime de lesão corporal grave, pela agressão ocorrida nos bastidores de um debate eleitoral em setembro de 2024. Nahuel deixou a assessoria de Marçal na semana passada.
Documentos do inquérito que tramita sob segredo de justiça, obtidos com exclusividade pelo SBT News, revelam que a investigação continua para apurar uma possível fraude processual que envolveria o próprio Marçal e o advogado Tássio Renan Souza Botelho.
O caso remete à noite de 23 de setembro de 2024, durante o debate promovido pelo "Flow Podcast" no Clube Sírio Libanês, na zona sul de São Paulo. Após Pablo Marçal ser expulso por violar repetidamente as regras, houve um tumulto nos bastidores. Na confusão, Medina desferiu um soco no rosto de Eduardo Rodrigues de Lima, à época, assessor do atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
Medina, que inicialmente havia alegado ter agido em "legítima defesa", teve a versão confrontada após imagens mostrarem que ele e outros integrantes supostamente forjando arranhões e puxões na camisa.
Segundo a investigação, laudos do Instituto Médico Legal (IML) e exames especializados, a vítima sofreu um "descolamento parcial traumático posterior do vítreo e hemorragia vítrea no olho esquerdo", segundo o documento.
Suspeita de fraude processual
O indiciamento, formalizado em dezembro do ano passado, não terminou com o inquérito entregue à Justiça, já que a defesa de Eduardo Lima acrescentou mais uma denúncia, alegando que a cena do crime teria sido manipulada.
Imagens analisadas pelos advogados da vítima sugerem que, após a agressão, Pablo Marçal e Tássio Renan teriam se retirado para um local reservado onde o advogado rasgou a camisa de Nahuel Medina.
O objetivo da manobra seria, segundo a denúncia, simular que Medina havia sido agredido primeiro, induzindo as autoridades e o Judiciário ao erro para sustentar a suposta legítima defesa.
Após as novas denúncias, a polícia prosseguiu com as investigações e ouviu novas testemunhas. Em fevereiro deste ano, Nahuel Medina chegou a prestar depoimento, em que disse se arrepender do soco dado contra a vítima, mas que a intenção era apenas se desvencilhar de um suposto agarrão.

Medida protetiva e histórico de confusões
Em setembro de 2024, após a agressão, a Justiça determinou que Nahuel Medina teria que manter distância de 300 metros da vítima. Ele também está proibido de manter contato, “seja por meio direto ou indireto”, com Eduardo Lima.
O pedido foi feito pela defesa do ex-assessor de Ricardo Nunes (MDB), após os exames que constataram as graves lesões no olho sofridas.
A confusão no debate de 2024 não foi a primeira em que Nahuel Medina se envolveu. Documentos anexados ao processo relatam que ele precisou ser contido para não agredir outras pessoas, no debate da TV Cultura, dias antes.
As agressões viraram piadas durante as investigações. Durante um evento em que Pablo Marçal palestrava, a vítima chegou a ser ridicularizada, segundo os documentos.
“Esse cara que vai vir aí, o bicho é famoso. Acho que no mundo inteiro, todo mundo viu ele dando um soco em alguém. Será que é qual lutador? (risos). É um cara de outro país, o nome dele é Nahuel Medina. Uma salva de palmas para Nahuel Medina.”, diz o trecho.
O que dizem os citados
Procurado, o advogado Daniel Bialski, que defende Eduardo Lima, classificou o ato como covarde. “Aquele ato covarde, coordenado e incentivado para fins espúrios merece toda reprovação moral e legal e, se espera, o quanto antes, que a polícia promova o indiciamento de todos envolvidos para que sejam futuramente processados e condenados pelos crimes cometidos”, segundo nota.
A reportagem procurou a assessoria de Pablo Marçal, que até agora não retonrou os contatos.
Procurado, Nahuel Medina não respondeu o pedido de nota feito pela reportagem.
O advogado Tassio Renan também foi procurado, mas até a publicação desta reportagem não havia retornado.









