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MPF dá 48h para IML entregar perícia completa dos mortos em megaoperação no Rio

Órgão exige detalhamento das mais de 100 mortes nos complexos da Penha e do Alemão

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Vicklin Moraes
29/10/2025, 20:09 • Atualizado em 30/10/2025, 01:51
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O Ministério Público Federal (MPF) solicitou nesta quarta-feira (29) ao Instituto Médico-Legal (IML) acesso, em até 48 horas, a todos os dados das perícias realizadas nos corpos da megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 100 mortos.

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A decisão, assinada pelo procurador da República Julio José Araujo Junior, determina que o IML entregue:

  • descrição completa de lesões externas e internas;
  • identificação, extração e encaminhamento de projéteis;
  • fotografias de todas as lesões;
  • imagens das características individualizantes;
  • croqui dos corpos com a localização das lesões;
  • e um relatório contendo a trajetória dos projéteis e a distância dos disparos.

Também nesta quarta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que enviou técnicos periciais ao IML para realizar uma perícia independente nos corpos encontrados após a operação, considerada a mais letal da história do estado.

Operação Contenção

Deflagrada na terça-feira (28), a ação mobilizou 2.500 policiais civis e militares nos complexos da Penha e do Alemão, com o objetivo de desarticular lideranças do Comando Vermelho. Segundo o governo, foram cumpridos mandados de prisão e busca, resultando em 113 presos, 10 adolescentes apreendidos e 118 armas recolhidas, incluindo 91 fuzis, além de explosivos, munições e drogas.

A operação teve intensa resistência armada. Relatos apontam troca de tiros, barricadas incendiadas em vias expressas e ataques com drones por parte de criminosos para retardar o avanço das equipes. Pelo menos quatro moradores ficaram feridos.

O governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como um “sucesso” e afirmou que as únicas “vítimas” foram os quatro policiais mortos. Já o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, reconheceu que “a alta letalidade era previsível, mas não desejada”.

Moradores dos complexos relataram ter encontrado mais de 70 corpos na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia. Os cadáveres, achados ao longo da madrugada desta quarta-feira, foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas.

Por volta das 8h45, veículos da Defesa Civil começaram a recolher os corpos. Alguns deles estavam decapitados, apresentavam tiros na nuca e marcas de facadas nas costas.

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