Brasil

Megaoperação no Rio supera massacre do Carandiru e se torna a ação policial mais letal da história

Com objetivo de desarticular facção criminosa, ação nos complexos da Penha e do Alemão deixou ao menos 121 mortos

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Murillo Otavio
29/10/2025, 19:41 • Atualizado em 30/10/2025, 02:14
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A megaoperação realizada no Rio de Janeiro na terça-feira (28) superou o massacre do Carandiru e se tornou a ação policial mais letal da história das forças de segurança no Brasil. A informação foi confirmada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao SBT News.

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O massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo, deixou 111 mortos, após uma operação da Tropa de Choque da Polícia Militar dentro do presídio.

A nova operação, que aconteceu nos complexos da Penha e do Alemão, tinha como objetivo conter o avanço do Comando Vermelho (CV) no estado. Até a publicação desta reportagem, o governo do Rio havia contabilizado 121 mortos.

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Megaoperação

A ação, parte da chamada Operação Contenção, foi justificada pela necessidade de desarticular lideranças do Comando Vermelho na região. Participaram cerca de 2.500 policiais civis e militares, cumprindo mandados de prisão e busca. Além das mortes, 113 suspeitos foram presos e 118 armas apreendidas.

Durante a operação, houve intensa troca de tiros. Ruas das comunidades foram bloqueadas com barricadas, e objetos foram incendiados.

Inicialmente, as autoridades confirmaram 64 mortes, sendo quatro de policiais, mas moradores encontraram corpos em áreas de mata no alto do complexo, onde os confrontos foram mais intensos.

Ao longo da quarta-feira (29), o número de mortes subiu para 119. O Instituto Médico Legal (IML) ainda recebe corpos, e a contagem pode aumentar.

O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou que as forças de segurança criaram o chamado “Muro do Bope” — policiais avançaram pela Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde equipes do Bope já estavam posicionadas. A explicação foi dada durante entrevista coletiva que detalhou os resultados da operação.

A ação superou as operações anteriores no Jacarezinho (2021), com 28 mortos, e na Vila Cruzeiro (2022), com 24 óbitos, ambas realizadas no governo de Cláudio Castro (PL).

Moradores denunciam violência

Moradores relataram à reportagem do SBT violência extrema por parte dos agentes. Há denúncias de decapitações, uso de spray de pimenta contra crianças e invasões de residências.

“No Brasil não existe pena de morte. Teve corpo com cabeça arrancada, perna cortada. Parece que eles são treinados para subir na comunidade e matar negro pobre”, disse uma moradora, que ajudou a retirar corpos da área de mata no alto da Penha.

Outra moradora relatou agressões e o uso de spray de pimenta durante a invasão policial.

“A polícia invadiu minha casa, bateram no meu filho e jogaram spray de pimenta. Minha neta teve febre e acordou com o olho inchado. Estávamos com crianças em casa, e eles não respeitaram”, afirmou.

Moradores também se organizaram para prestar ajuda a feridos e famílias atingidas, distribuindo água e alimentos.

Durante os protestos na Praça São Lucas, dezenas de corpos foram deixados no local após uma madrugada de buscas. Em meio a gritos de revolta, manifestantes chamaram o governador Cláudio Castro de “assassino” e classificaram a ação como uma “chacina”, exibindo faixas, cartazes e realizando um buzinaço.

Governador fala em “sucesso”

O governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como um “sucesso”, afirmando que as únicas “vítimas” foram os quatro policiais mortos.

Em entrevista ao programa Alô, Você, do SBT, Castro disse que a operação representou “um marco na retomada do Rio de Janeiro”.

“O Rio de Janeiro deu um grande golpe na criminalidade. Essa operação é um marco. Marca o início da retomada do Rio”, afirmou.

Castro destacou que a violência ultrapassa as fronteiras do estado e que a segurança pública deve ser tratada como um problema nacional.

O Rio faz parte da solução do Brasil. Esse é um problema de segurança pública do país inteiro, não apenas do nosso estado”, disse.

O governador afirmou ainda que se reuniu com mais de dez governadores de outros estados, que colocaram suas forças policiais à disposição do Rio. “Precisamos solucionar esse problema”, completou.

Segundo ele, a primeira impressão é de que a ação foi “extremamente violenta e sangrenta”, e será preciso verificar se é compatível com os princípios do Estado Democrático de Direito.

Lewandowski disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou “estarrecido” com o número de mortes e que o governo federal avalia alternativas, mas destacou que não há solução imediata para a crise de segurança pública no Rio de Janeiro.

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