Brasil

ADPF das Favelas: o que diz decisão do STF sobre operações policiais no Rio de Janeiro

Documento homologado pelo Supremo prevê câmeras em viaturas e fardas, relatórios obrigatórios e plano de retomada de áreas controladas por facções

Avatar de Warley Júnior
Warley Júnior
29/10/2025, 14:10 • Atualizado em 29/10/2025, 14:11
compartilhar
ADPF das Favelas: o que diz decisão do STF sobre operações policiais no Rio de Janeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou em abril deste ano um conjunto de regras que definem como as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro devem ser realizadas. As medidas ficaram conhecidas como ADPF das Favelas e fazem parte da ação que levou à Corte o debate sobre a atuação das forças de segurança em áreas de alta vulnerabilidade social.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A decisão voltou ao centro das discussões depois da megaoperação da polícia fluminense, nessa terça-feira (28), que deixou pelo menos 132 mortos. Ação, considerada a mais letal da história do estado, tinha como alvo líderes da facção Comando Vermelho (CV). O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), chegou a criticar decisão do Supremo. Ele culpou a medida pelo avanço de facções criminosas no estado e disse que a atuação da União não tem priorizado a segurança pública.

"Depois de cinco anos de ADPF, muitas barricadas, muita dificuldade para a polícia entrar. São filhotes dessa ADPF maldita, que infelizmente um partido político ingressou e prejudicou demais o Rio de Janeiro. Ao longo desse mandato inteiro, não temos o auxílio de blindados nem de agentes federais de segurança ou defesa", afirmou ontem.

Horas após a operação, o ministro Alexandre de Moraes, que conduz de forma temporária a ADPF, determinou ontem que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em até 24 horas sobre pedido do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) para que o governo do RJ apresente informações sobre a ação policial dessa terça, no âmbito das regras definidas pelo STF.

O que diz a decisão

O STF reconhece que o Rio de Janeiro tem adotado medidas para reduzir a letalidade policial e garantir mais proteção a civis e agentes de segurança, mas destaca que ainda há graves violações de direitos humanos nas comunidades.

A Corte reforça que operações policiais não estão proibidas, mas devem respeitar os princípios constitucionais de proporcionalidade, planejamento e transparência. Isso inclui a elaboração de relatórios detalhados e a fiscalização posterior pelo Ministério Público, responsável por verificar a legalidade das ações.

Entre as medidas determinadas pelo STF estão:

  • Instalação de câmeras em viaturas e fardas de policiais militares e civis;
  • Preservação do local do crime e comunicação imediata ao Ministério Público;
  • Fortalecimento da autonomia das perícias criminais;
  • Assistência psicológica obrigatória a policiais;
  • Afastamento preventivo de agentes envolvidos em mortes;
  • Regras mais rigorosas para buscas domiciliares;
  • Ambulâncias em operações planejadas;
  • Restrições para ações próximas a escolas e hospitais;
  • Relatórios obrigatórios e públicos após cada operação.

O Supremo também determinou a criação de um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar crimes com repercussão interestadual e internacional, incluindo o tráfico de armas e drogas, milícias e lavagem de dinheiro.

Além disso, o governo fluminense deverá apresentar um plano de reocupação de áreas dominadas por organizações criminosas, com foco em segurança e políticas públicas.

Acompanhamento

O cumprimento das medidas será acompanhado por um grupo de trabalho coordenado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que publicará relatórios semestrais sobre os resultados e o nível de transparência nas operações policiais do Rio de Janeiro.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: CNH aos 16: comissão da Câmara adia votação para julho

CNH aos 16: comissão da Câmara adia votação para julho

Imagem da notícia: Uzbequistão x Colômbia na Copa do Mundo; siga em tempo real

Uzbequistão x Colômbia na Copa do Mundo; siga em tempo real

Imagem da notícia: Trump tenta negar, mas acordo prevê US$ 300 bi para o Irã

Trump tenta negar, mas acordo prevê US$ 300 bi para o Irã

Imagem da notícia: Durigan diz ter respaldo do STF contra ‘pautas-bomba’

Durigan diz ter respaldo do STF contra ‘pautas-bomba’

Imagem da notícia: CNH aos 16: comissão da Câmara adia votação para julho

CNH aos 16: comissão da Câmara adia votação para julho

Imagem da notícia: Uzbequistão x Colômbia na Copa do Mundo; siga em tempo real

Uzbequistão x Colômbia na Copa do Mundo; siga em tempo real

Imagem da notícia: Trump tenta negar, mas acordo prevê US$ 300 bi para o Irã

Trump tenta negar, mas acordo prevê US$ 300 bi para o Irã

Imagem da notícia: Durigan diz ter respaldo do STF contra ‘pautas-bomba’

Durigan diz ter respaldo do STF contra ‘pautas-bomba’

Últimas notícias

'Erros acontecem', diz Trump sobre ataque a escola no Irã

Declaração foi talvez a mais próxima de um reconhecimento da responsabilidade americana no bombardeio, que deixou 155 mortos, a maioria crianças

Copa: saiba como as pausas para hidratação ajudam os atletas

Medida adotada pela FIFA para proteger atletas do calor extremo tem influenciado o ritmo das partidas

CNI pede redução mais forte da taxa de juros

Entidade afirma que queda de 0,25 ponto percentual nos juros é insuficiente para estimular investimentos

Lindbergh pede Bolsonaro na Papuda após confisco de arma

Deputado solicitou a Moraes revogação de domiciliar com impossibilidade de renovação após pistola do ex-presidente ser encontrada com agente do GSI

Câmara aprova MP do Frete com anistia a caminhoneiros

Após acordo para retirar pontos controversos em comissão especial, a proposta foi aprovada e segue para análise do Senado Federal

Veja os 14 pontos previstos no acordo de paz entre EUA e Irã

Memorando foi apresentado a jornalistas por um alto funcionário do governo americano durante uma teleconferência