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Governo anuncia medidas emergenciais contra intoxicação por metanol após mortes e casos suspeitos

Autoridades federais reforçam assistência médica e prometem rigor nas investigações para responsabilizar envolvidos

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Isabela Guimarães, Gabriela Tunes
07/10/2025, 16:15 • Atualizado em 07/10/2025, 16:18
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Autoridades reforçam medidas contra bebidas adulteradas diante de casos de intoxicação por metanol | Divulgação/Pablo Jacob/Governo de SP

Autoridades reforçam medidas contra bebidas adulteradas diante de casos de intoxicação por metanol | Divulgação/Pablo Jacob/Governo de SP

O governo federal anunciou nesta terça-feira (6) uma série de ações emergenciais para conter os efeitos da contaminação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas no Brasil. A medida ocorre após a confirmação de mortes e o registro de diversos casos suspeitos de intoxicação em diferentes estados.

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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a prioridade é garantir atendimento rápido às vítimas e fortalecer o sistema de saúde para lidar com os casos mais graves.

"Nós tivemos casos de óbito, temos vários casos suspeitos. É fundamental procurar rapidamente assistência médica no caso de sintomas clássicos de intoxicação por metanol, como vômitos e ânsia. O governo já disponibiliza etanol farmacêutico, que é o medicamento adequado, e está importando um tratamento ainda mais eficaz do Japão, por meio da Opas", declarou Alckmin.

Segundo ele, a Unicamp passará a realizar 190 exames por dia em São Paulo, estado com o maior número de ocorrências, para acelerar o diagnóstico dos pacientes.

Medidas emergenciais de resposta

As ações de enfrentamento envolvem uma ampla articulação entre diferentes ministérios, polícias e órgãos de defesa do consumidor. Entre as principais medidas, está a ativação imediata do Sistema de Alerta Rápido (SAR), que emitiu a primeira notificação em 16 de fevereiro, assim que os primeiros casos foram registrados. O alerta foi divulgado à população ainda no mesmo dia, com o objetivo de evitar o consumo de bebidas potencialmente contaminadas.

Na segunda-feira seguinte, foi convocada uma reunião emergencial do Comitê Técnico do SAR, com participação do Ministério da Saúde, Receita Federal, Polícia Federal (PF) e polícias estaduais. Nessa ocasião, foram definidas ações conjuntas de vigilância e investigação, incluindo a abertura de dois inquéritos, um pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e outro pela PF.

Apoio técnico e investigações

O Programa Nacional de Integração de Dados Periciais (PNID) foi acionado para agilizar a troca de informações entre laboratórios estaduais e federais. Foram enviados equipamentos, insumos e equipes de capacitação às polícias científicas locais. Também está sendo realizado o exame de isótopos nas amostras, que permite identificar a origem do metanol, se derivado de combustível ou de fermentação, em parceria com o Laboratório da Polícia Federal.

Para padronizar o envio e a análise das amostras suspeitas, foi promovida uma reunião entre a PF e as polícias científicas estaduais, garantindo a uniformização dos procedimentos periciais.

Mobilização da sociedade e rede de saúde

As autoridades também mobilizaram redes de consumidores e estabelecimentos comerciais, com comunicação direta a bares, restaurantes e pontos de venda. Foram repassadas orientações sobre como identificar bebidas suspeitas e alertar clientes sobre os riscos.

Paralelamente, as redes de vigilância sanitária e saúde receberam protocolos de atendimento e antídotos (como o fomepizol) para o tratamento das intoxicações. Hospitais foram preparados para lidar com os casos de forma mais rápida e coordenada.

Fiscalização e repressão

A Senacon e a Polícia Federal notificaram dezenas de estabelecimentos suspeitos, exigindo documentação sobre compras, estoques e fornecedores de bebidas. Computadores e sistemas de venda também estão sendo periciados.

O governo iniciou o rastreamento da cadeia de fornecimento para identificar padrões e fornecedores ilegais, em parceria com distribuidores e associações do setor de bebidas, a fim de diferenciar os produtores regulares dos clandestinos.

Desenvolvimento tecnológico

Entre as medidas de médio prazo, o governo anunciou parcerias com centros de pesquisa nacionais para desenvolver testes rápidos capazes de detectar metanol em bebidas. O objetivo é oferecer soluções acessíveis para uso pela sociedade em festas, bares e eventos, de modo a prevenir novas tragédias.

Coordenação e transparência

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, destacou que o ministério coordena toda a operação, com apoio técnico e articulação entre as forças de segurança, saúde e defesa do consumidor.

"Logo no dia 30 de setembro, quando tomamos conhecimento da gravidade e da atipicidade dessa situação, determinamos a abertura de um inquérito administrativo na Secretaria Nacional do Consumidor e um inquérito policial pela Polícia Federal. Nossa atuação não será apenas repressiva, mas também pedagógica e de cooperação com a sociedade civil", afirmou.

Segundo o ministro, o governo mantém o compromisso de transparência e atualização contínua sobre o avanço das investigações e as medidas preventivas em curso.

Riscos e sintomas

A ingestão de bebidas adulteradas com metanol é extremamente perigosa e pode causar cegueira, danos neurológicos e até a morte. Quando metabolizado pelo organismo, o metanol se transforma em ácido fórmico, substância altamente tóxica.

As autoridades reforçam que a população deve evitar o consumo de bebidas de origem desconhecida e procurar atendimento médico imediato ao apresentar sintomas de intoxicação, como tontura, náusea, confusão mental, dificuldade visual e vômitos.

A Polícia Federal e os órgãos de defesa do consumidor seguem investigando os casos para identificar e punir os responsáveis.

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