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Cão Orelha: laudo aponta agressão fatal e polícia investiga coação de um porteiro

Perícia confirmou fraturas no crânio do animal; polícia analisa celulares dos investigados e apura tentativa de intimidação a porteiro

Imagem da noticia Cão Orelha: laudo aponta agressão fatal e polícia investiga coação de um porteiro
Cão Orelha teve que ser sacrificado devido à gravidade das agressões | Foto: Divulgação

Novos detalhes da investigação revelam a violência que levou à morte do cachorro Orelha, em Florianópolis. Um laudo veterinário apontou lesões graves no crânio do animal, enquanto a Polícia Civil apura uma suposta tentativa de coação contra um porteiro que registrou a movimentação dos suspeitos.

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O exame realizado no dia 5 de janeiro indica que Orelha sofreu fraturas na mandíbula e no maxilar, além de apresentar batimentos cardíacos lentos e dificuldade para respirar. Para os investigadores, não há dúvidas de que o cachorro foi vítima de uma agressão fatal.

Inicialmente, quatro adolescentes eram considerados suspeitos. No entanto, o rumo do inquérito mudou após depoimentos e análise de imagens de câmeras de segurança. Um dos jovens deixou de ser investigado depois que a família comprovou que ele não estava no local do crime.

Segundo o delegado Renan Balbino, responsável pelo caso, o adolescente conseguiu demonstrar que sequer esteve na Praia Brava nos dias em que o crime ocorreu.

A Polícia Civil deve iniciar, ainda nesta semana, a perícia em celulares e outros equipamentos eletrônicos dos investigados. Além disso, um dos adolescentes que retornou de viagem recentemente deve prestar depoimento nos próximos dias.

Porteiro teria sido intimidado, diz investigação

Outro ponto central do inquérito envolve um porteiro da região. Ele teria registrado fotos e vídeos dos adolescentes e compartilhado o material em uma rede social, acompanhado de um áudio relatando problemas com o grupo.

De acordo com a polícia, os pais de dois adolescentes e o tio de um terceiro teriam ido até a portaria do prédio para intimidar o funcionário. Câmeras de segurança do condomínio registraram a suposta tentativa de coação.

Familiares de adolescentes indiciados

No dia 27 de janeiro, a Polícia de Santa Catarina indiciou por coação de testemunha, três familiares dos adolescentes investigados pela morte do cão. Trata-se dos pais e do tio de alguns dos envolvidos.

De acordo com a polícia, não existe vídeo do dia do crime. Há apenas uma foto divulgada em um grupo, que não registra o momento da agressão, mas está relacionada aos adolescentes investigados.

A polícia esclareceu ainda que a investigação segue em duas linhas distintas. Uma delas apura as agressões contra o cão Orelha e contra Caramelo, outro cão comunitário que sofreu tentativa de afogamento, além de furtos relacionados a uma barraca e depredação de patrimônio, envolvendo os adolescentes. A outra linha investiga possíveis crimes de coação.

Sobre a morte do cão Orelha

Orelha viveu por cerca de 10 anos nos arredores da Praia Brava e era cuidado de forma coletiva pela comunidade. Moradores se revezavam na alimentação, na limpeza das casinhas improvisadas, na troca de cobertores e no acompanhamento do dia a dia do animal, que se tornou parte da rotina do bairro.

No início do mês, após desaparecer por dois dias, o cão comunitário reapareceu gravemente ferido. Ele foi resgatado e levado para atendimento veterinário, mas, diante da gravidade das lesões e do sofrimento, precisou ser sacrificado. Exames e avaliações descartaram atropelamento e apontaram que os ferimentos foram causados por agressões.

Segundo a Polícia Civil, o cão foi vítima de violência cometida por quatro adolescentes. Dois deles estavam em Santa Catarina e os outros dois nos Estados Unidos (EUA), em uma “viagem programada”, sendo apreendidos no dia 29 de janeiro.

Na última segunda (26), a polícia realizou buscas nas casas dos adolescentes envolvidos na agressão. Em uma das residências, foi encontrada uma porção de droga. Além disso, foram apreendidos celulares e telefones.

A investigação segue em sigilo.

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