Cão Orelha: Polícia de SC apreende celulares de adolescentes suspeitos que estavam nos EUA
Ação ocorreu no aeroporto de Florianópolis após antecipação do retorno dos suspeitos ao Brasil
Antonio Souza
SBT Brasil
A Polícia Civil de Santa Catarina realizou, nesta quinta-feira (29), a apreensão de celulares de dois adolescentes investigados por maus-tratos ao cão Orelha.
Os jovens estavam a viagem nos Estados Unidos, mas, após monitoramento conjunto com a Polícia Federal, foi identificada a antecipação do voo para o Brasil, o que possibilitou o cumprimento das ordens judiciais.
A operação foi realizada no Aeroporto Internacional de Florianópolis, em uma sala restrita, para garantir a segurança dos envolvidos e das demais pessoas no local.
Durante a operação, foram apreendidos, além dos telefones celulares, as roupas pertencentes aos adolescentes. Ambos já foram intimados para prestar depoimento.
Os aparelhos recolhidos serão encaminhados à Polícia Científica para extração de dados, assim como outros equipamentos apreendidos no dia 26 de janeiro. Também foi solicitada a emissão de laudo de corpo de delito do animal, que deve ajudar a esclarecer as circunstâncias do caso.
Após a conclusão das diligências, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
Familiares de adolescentes indiciados
Na última terça-feira (27), a Polícia de Santa Catarina indiciou por coação de testemunha, três familiares dos adolescentes investigados pela morte do cão. Trata-se dos pais e do tio de alguns dos envolvidos.
A polícia esclareceu ainda que a investigação segue em duas linhas distintas. Uma delas apura as agressões contra o cão Orelha e contra Caramelo, outro cão comunitário que sofreu tentativa de afogamento, além de furtos relacionados a uma barraca e depredação de patrimônio, envolvendo os adolescentes. A outra linha investiga possíveis crimes de coação.
Sobre a morte do cão Orelha
Orelha viveu por cerca de 10 anos nos arredores da Praia Brava e era cuidado de forma coletiva pela comunidade. Moradores se revezavam na alimentação, na limpeza das casinhas improvisadas, na troca de cobertores e no acompanhamento do dia a dia do animal, que se tornou parte da rotina do bairro.
No início do mês, após desaparecer por dois dias, o cão comunitário reapareceu gravemente ferido. Ele foi resgatado e levado para atendimento veterinário, mas, diante da gravidade das lesões e do sofrimento, precisou ser sacrificado. Exames e avaliações descartaram atropelamento e apontaram que os ferimentos foram causados por agressões.
Segundo a Polícia Civil, o cão foi vítima de violência cometida por quatro adolescentes. Dois deles estavam em Santa Catarina e os outros dois nos Estados Unidos (EUA), em uma “viagem programada”, sendo apreendidos nesta quinta-feira.
Na última segunda (26), a polícia realizou buscas nas casas dos adolescentes envolvidos na agressão. Em uma das residências, foi encontrada uma porção de droga. Além disso, foram apreendidos celulares e telefones.
A investigação segue em sigilo.









